segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Mistério das Duas Irmãs


O Mistério das duas irmãs (The Uninvited, EUA, 2009)
Direção: Irmãos Guard
Baseado no roteiro de Jee-Woon Kim
Elenco: Emily Browning (Anna), Arielle Kebbel (Alex), Elizabeth Banks (Rachel), David Straithairn (Steven), Maya Massar (Mãe), Kevin McNulty (Xerife), Jesse Moss (Matt), Dean Paul Gibson (Dr. Silberling).
SINOPSE: Anna Rydell (Emily Browning) retorna ao seu lar e a sua irmã (e melhor amiga) Alex (Arielle Kebbel) depois de um período internada em um hospital psiquiátrico, embora sua recuperação seja ofuscada por sua cruel madrasta (Elizabeth Banks), pai alheio e a presença de um fantasma em sua casa.


“Esteja convidado”





Após a morte de sua mãe doente em um incêndio, a jovem Anna (Emily) tenta o suicídio e é enviada a uma instituição psiquiátrica para tratamento. Meses depois, Anna ainda tem dificuldades para se lembrar o que ocorreu naquela noite. Seu psiquiatra, Dr. Silberling, entretanto, a acalma dizendo que está curada. Seu pai, Steven, um escritor de sucesso, traz Anna de volta para casa, uma mansão isolada próxima à costa. Anna descobre que a enfermeira de sua mãe, Rachel Summers, é sua madrasta agora. Ela também reencontra sua amada irmã, Alex, nadando no mar. Conforme o tempo passa, Anna é assombrada por fantasmas e acredita que Rachel matou sua mãe. As irmãs decidem então, procurar por evidências que provem que Rachel é a assassina.

Primeiro de tudo: O Mistério das Duas Irmãs não é um filme de horror, e se fosse, não seria dos melhores. Remake do suspense coreano Medo "Janghwa, Hongryeon", de 2003, o filme oferece muito pouco além do que já vimos em matéria de filmes de fantasmas na história do cinema. Mas o pior não é essa parte.



“Você pode acreditar no que vê?”

Não, não pode. O Mistério das duas irmãs se confunde, a princípio, com exemplares que vão de O Grito até A Espinha Do Diabo, horrores eficientes sobre fantasmas e maldições. No entanto, O Mistério das Duas Irmãs não se sustenta em sua própria história, apelando para os clichês mais manjados do gênero, como os adultos que não acreditam em nada e os sustos constantes, que são até eficientes.

Até aí o filme não se compromete tanto, tendo como principais trunfos a fotografia e as atuações de Emily Browning, que está totalmente à vontade como a heroína de um filme de horror e Elizabeth Banks (Seres Rastejantes), que também convence como a vilã da história.

Aí vem o grande problema: Nem tudo é o que parece e nem Anna é a heroína nem Rachel a vilã da história. Como aconteceu em O Amigo Oculto, uma desagradável troca de papeis em uma reviravolta final faz com o que o filme caia quase no ridículo, embora aqui o resultado seja melhor do que o filme de 2005.

Filmes como O Sexto Sentido, Os outros e A Janela Secreta também possuem reviravoltas surpreendentes, mas a diferença principal é que os filmes citados souberam amarrar bem os fios condutores que levavam ao final, sem deixar pontas soltas ou ficar indeciso sobre qual gênero escolher, como nesse filme, que vai do extremamente assustador ao drameco familiar em segundos. Como bem observado pelo Dread Central, um espectador casual de horror deve gostar mais de O Mistério das Duas Irmãs do que um fanático pelo gênero como eu.



Curiosidades:

  • Emily Browning tinha originalmente feito o teste de elenco para o papel de Alex, irmã de Anna;
  • No script Anna tem cerca de quinze anos de idade; Emily Browning tinha vinte anos na época das filmagens.


sábado, 9 de junho de 2012

O Sucesso de Pânico e os filmes de horror


Pânico (Scream, EUA, 1996)
Direção: Wes Craven
Elenco: Neve Campbell (Sidney Prescott), Drew Barrymore (Casey), Kevin Patrick Walls (Steve), Roger Jackson (Voz pelo telefone), Skeet Ulrich (Billy), Lawrence Hecht (Pai de Sidney), Courteney Cox (Gale Weathers), David Arquette (Policial Dewey), Rose McGowan (Tatum), Matthew Lillard (Stuart), Jamie Kennedy (Randy), W. Earl Brown (Kenny).
SINOPSE: Um ano após a morte da mãe de Sidney Prescott (Neve Campbell), dois estudantes acabam estripados sem nenhuma razão. É um novo serial killer que aparece e Sidney suspeita que as mortes tenham relação com a de sua mãe. Ninguém está seguro e o assassino começa a deixar um rastro de morte. Todo mundo é suspeito nesse caso.



“Você gosta de filmes de horror?”

Wes Craven (A Hora do Pesadelo, Aniversário Macabro), hábil cineasta de horror que sabe bem o que o público do gênero aprecia, foi o responsável por dirigir o excelente roteiro de Kevin Williamson (Teaching Mrs. Tingle), que apesar de parecer nada original, revigorou o gênero terror justamente em um de seus momentos mais raquíticos no cinema. No início dos anos 90, o cinema de horror se limitava a remakes (já naquela época, por exemplo, “A Noite dos Mortos-vivos”), continuações cansativas das cinesséries A hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13 e filmes originais de baixo orçamento (Testemunha Muda, Candyman) e quem conseguia prêmios e boas bilheterias eram justamente filmes que não se encaixavam diretamente no gênero horror (O Silêncio dos Inocentes e Entrevista com o Vampiro, por exemplo). Logo, o feito de Pânico é admirável e inegável. Mas e a história?

“Qual o seu filme de horror favorito?”

O filme começa com uma ligação telefônica de um estranho para Casey (Drew Barrymore), mas o que parece ser um engano logo se revelará como um assustador destino para Casey e seu namorado Steve (Kevin Walls). Após a morte dos jovens, a cidade de Woodsboro vive uma atmosfera de tensão e medo, em particular os jovens à volta de Sidney (Neve Campbell), cuja vida já havia sido abalada um ano antes pela violenta morte de sua mãe. Será que os assassinatos estão relacionados? Ainda mais depois de seu pai desaparecer e o assassino parecer estar mirando diretamente em Sidney.

A história de Pânico não parece diferir muito da maior parte dos slashers convencionais (como Sidney menciona ao falar com o assassino pelo telefone em uma parte do filme, os filmes de terror são sempre a mesma coisa: Uma garota peituda sendo perseguida por um assassino estúpido, e ao invés de sair pela porta, prefere subir as escadas correndo). E é justamente ao brincar consigo mesmo, que Pânico atinge o seu objetivo. Desde o início do filme, temos um show de clichês e referências que duram até o seu desfecho, que contém uma reviravolta bastante interessante. Talvez Pânico seja o filme que contém mais referências, inclusive. Além disso, um dos feitos inéditos foi mesclar a série de assassinatos com um ambiente completamente urbano e não fazer do assassino um ser sobrenatural. Ponto para Pânico, que iniciou uma nova era no gênero, sendo copiado e referenciado ele mesmo por inúmeros filmes posteriores, um grande filme de horror. Como extra, deixo aqui dois vídeos de um dos personagens mais carismáticos de Pânico, Randy (Jamie Kennedy), um jovem que trabalha em uma locadora e sabe tudo sobre filmes de horror, inclusive algumas regras bem úteis para sobreviver em um filme do gênero:


Curiosidades:

  • Alicia Witt (Lenda Urbana) e Brittany Murphy (8 Mile) fizeram o teste para o papel de Sidney Prescott, mas não passaram. O papel foi oferecido para Reese Witherspoon, que recusou.
  • Para manter Drew Barrymore chorando, Wes Craven ficava repetindo histórias de crueldade contra animais. Ela é uma defensora dos direitos animais.
  • Rose McGowan acabou descobrindo que consegue passar por uma entrada de animais de estimação.
  • Foram gastos na produção cerca de 50 galões de sangue falso.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Mais do mesmo em Sexta-Feira 13 Parte 2


Sexta-Feira 13 – Parte 2 (Friday the 13th Part 2, EUA, 1981)
Direção: Steve Miner
Elenco: Warrington Gillette (Jason), Adrienne King (Alice), John Furey (Paul), Amy Steel (Ginny), Kristen Baker (Terry), Stuart Charno (Ted), Walt Gorney (Crazy Ralph), Russell Todd (Scott).
SINOPSE: Cinco anos após o horrível massacre no acampamento Crystal lake, tudo que resta é a lenda de Jason Voorhees (Warrington Gillette) e sua mãe, que assassinou sete instrutores do acampamento. Num acampamento de verão próximo, os novos instrutores não sabem que têm de ficar o mais distante possível daquele lugar. Descuidados, os jovens circulam pela área, sem sentir a presença ameaçadora do mal. Um a um, eles são atacados e mortos brutalmente. 


ATENÇÃO! ALGUNS SPOILERS ABAIXO!




“A contagem de corpos continua”



O primeiro filme da série Sexta-Feira 13 foi um estrondoso sucesso de público em 1980. Durante sua exibição nos cinemas americanos, os produtores da Georgetown Productions, de olho em um potencial novo sucesso, miraram em uma continuação e conseguiram um orçamento um pouquinho maior do que o do primeiro filme. 1,25 milhão de dólares contra 550 mil do original. Ainda um filme de baixo orçamento, fica claro que nem produtores, nem diretor, nem roteirista se preocuparam muito com a história, e deixaram o resto para as campanhas de publicidade.

A história é a mesma e se chega ao absurdo de termos cenas exatamente iguais às do primeiro filme, somente com personagens diferentes: Um grupo de jovens se reúne para abrir um acampamento de férias próxima à antiga região de Crystal Lake, sem saber que o local foi palco de assassinatos no passado. Sobreviventes do primeiro filme, a heroína Alice (Adrienne King) e o "malucão" Ralph (Walt Gorney) voltam nesta sequência só para terem a honra de serem mortos por Jason, que neste filme usa como motivo o assassinato de sua mãe (a algoz do filme anterior) e um saco de batatas na cabeça (a máscara de hóquei só aparece na parte 3).

Criatividade zero e atuações canastronas pontuam o filme, que vale por apresentar Jason ao público e pelo nostálgico clima da série.

Contagem de corpos: 10

Alice: heroína do anterior, é a primeira a morrer, com um picador de gelo (off-screen);
Crazy Ralph: Tentou avisar sem sucesso os jovens do primeiro e deste filme, foi morto com arame farpado em volta do pescoço;
Policial genérico: Martelo atrás da cabeça;
Scott: Tem a garganta cortada após ser pego em uma armadilha e ficar pendurado de cabeça para baixo por uma corda;
Terry: Morta off-screen;
Mark: Facão na cara e jogado das escadas de sua cadeira de rodas.
Jeff e Sandra: Enquanto estão fazendo sexo, são mortos simultaneamente;
Vicki: Esfaqueada na perna, e provavelmente depois em outros lugares (off-screen);
Paul: Presume-se que é morto no filme.
SUBTOTAL: 20 

Curiosidades:

  • 48 segundos de cenas foram cortados pela MPAA para evitar uma classificação X (extremamente explícito), hoje NC-17;
  • O filme tem uma longa sequência antes dos créditos iniciais, cerca de 15 minutos.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Chamado

O Chamado (The Ring, EUA, 2002)
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Naomi Watts (Rachel), Martin Henderson (Noah), David Dorfman (Aidan),  Brian Cox (Richard Morgan), Daveigh Chase (Samara Morgan), Shannon Cochran (Anna Morgan).
SINOPSE: Rachel Keller (Naomi Watts) é uma jornalista que decide investigar uma fita de vídeo que pode ter sido reponsável pela morte de quatro adolescentes (incluindo sua sobrinha). Há uma lenda urbana sobre esta fita: Aquele que assistir morrerá em sete dias. Se a lenda estiver correta, Rachel terá que correr contra o tempo para salvar sua vida e também a de seu filho (David Dorfman).




“Antes de morrer você ouvirá o chamado”


Talvez O Chamado tenha sido o primeiro filme americano baseado em um horror japonês. Essa onda de adaptações continua gerando fruto dez anos depois do lançamento deste filme. Seja por falta de criatividade dos roteiristas de Hollywood, seja pela sede por grandes bilheterias, o cinema japonês de horror trouxe sangue novo ao gênero.

Particularmente gostei de O Chamado. A fotografia é incrível, deixando um ar de nublado e um clima denso desde o início do filme. Início, aliás, que não poderia ser melhor: Duas amigas falam bobagem no quarto de uma delas até que o assunto da fita que mata em sete dias quem assiste vem à tona. Uma delas assistiu à fita  há exatamente uma semana e logo ela descobre da pior maneira a veracidade da lenda. Sua tia, a jornalista Rachel Keller (Naomi Watts) fica intrigada com a misteriosa morte da sobrinha e decide investigar mais sobre o boato. Ela aluga um chalé nas montanhas, o mesmo em que sua sobrinha assistiu à fita e também assiste. O conteúdo da fita é como citado no filme, cenas de um pesadelo, mas sem diálogos ou coisa parecida. Logo após o término da fita, Rachel recebe uma ligação que simplesmente diz: Sete dias.


A partir daí, Rachel começa uma corrida contra o tempo para descobrir as origens da fita e como salvar a si mesma e o seu filho, que fatalmente acaba assistindo também.


O filme seria perfeito não fossem os buracos no roteiro (Por que Rachel continua sofrendo os "sintomas" da maldição mesmo tendo feito uma cópia?) e a conclusão morna. Apesar disso, continua sendo um bom programa. Como extra, aí vai um vídeo com o conteúdo original da fita amaldiçoada. Só não vá se assustar se seu telefone tocar depois. Mwahahaha.



Curiosidades:

  • Há várias imagens sutis de círculos no filme, como os desenhos na blusa da médica, o ralo do chuveiro e o número do apartamento de Rachel;
  •  A cena do suicídio na banheira era muito mais gráfica. Os produtores acabaram cortando para conseguir uma certificação PG-13 da MPAA ( Equivalente a 14 anos no Brasil);
  • Um bom tempo antes de o filme estrear, o vídeo "amaldiçoado" foi utilizado como comercial nos EUA sem mencionar o nome do filme.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Uma boa sequência em Premonição 2


Premonição 2 (Final Destination 2, EUA, 2003)
Direção: David R. Ellis
Elenco: Ali Larter, A.J. Cook, Tony Todd, Michael Landes, David Paetkau, Jmes Kirk, Lynda Boyd, Keegan Connor Tracy, Jonathan Cherry, Terrence T C Carson, Justina Machado, Sarah Carter, Alejandro Rae, Shaun Sipos, Andrew Airlie.
SINOPSE: Quando Kimberly (A.J. Cook) tem uma vívida premonição de um grande acidente em uma rodovia, ela enlouquece e consegue salvar algumas pessoas de enfrentarem seu destino, ou não? Os sobreviventes começam misteriosamente a morrer e Kimberly tem que parar isso antes de ela ser a próxima.





“Mais velocidade. Mais terror. Mais morte”

Invariavelmente no cinema de ação e horror, quando um filme alcança uma grande bilheteria, independente de sua qualidade cinematográfica, uma sequência é esperada. A não ser que essa sequência não renda nas salas de cinema, mais sequências virão, assim como visto mais recentemente em Jogos Mortais e na franquia Premonição.

Fenômeno de público e elogiado pela crítica, o primeiro Premonição utilizou de uma fórmula original e eficaz. No segundo filme a solução geralmente é manter a tendência do original e aumentar tudo. Exatamente o que ocorreu com esse. Saem Jeffrey Reddick, James Wong e Glen Morgan (que dirigiriam depois Premonição 3), entram os talentosos Eric Bress e J. Mackye Gruber (que escreveriam em 2004 o excelente Efeito Borboleta) e o diretor David R. Ellis (Celular - Um grito de socorro).

Logo no início, não nos decepcionamos: No lugar do avião, a premonição da vez envolve um mega-engarrafamento causado por um acidente com um caminhão que carregava enormes troncos de árvore. O acidente, não menos que perfeito, era somente um sonho da protagonista Kimberly (A.J. Cook), mas como o filme é Premonição, é de se prever que o acidente ocorra realmente depois. Ela e mais algumas pessoas (que agora são desconhecidas, diferente do original), se salvam e começam a morrer das formas mais bizarras em seguida, por terem escapado do Destino Final. Entre os elementos bacanas no filme, temos mais uma vez a participação especial de Tony Todd (Candyman) e a volta da sobrevivente Clear Rivers (Ali Larter).

Até aí, nada de novo, tudo bem. Mas a habilidade dos roteiristas Gruber e Bress injetou sangue novo na franquia, que contou com novidades (a referência direta ao primeiro filme e a reviravolta no final) e transformou Premonição 2 em uma sequência digna e os produtores de olho em uma parte 3.


Curiosidades:

  • SPOILER!!!!!! Os personagens Kimberly e Thomas são os únicos que "enganaram a morte" de verdade. Todos os outros "sobreviventes" da franquia morrem nos finais de seus filmes, após alguma reviravolta ou no filme seguinte (Clear e Alex do original);
  •  Devon Sawa (o Alex do original) se recusou a paricipar do filme devido à razões contratuais (no filme é apenas feita menção a sua morte).


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