quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Chamado

O Chamado (The Ring, EUA, 2002)
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Naomi Watts (Rachel), Martin Henderson (Noah), David Dorfman (Aidan),  Brian Cox (Richard Morgan), Daveigh Chase (Samara Morgan), Shannon Cochran (Anna Morgan).
SINOPSE: Rachel Keller (Naomi Watts) é uma jornalista que decide investigar uma fita de vídeo que pode ter sido reponsável pela morte de quatro adolescentes (incluindo sua sobrinha). Há uma lenda urbana sobre esta fita: Aquele que assistir morrerá em sete dias. Se a lenda estiver correta, Rachel terá que correr contra o tempo para salvar sua vida e também a de seu filho (David Dorfman).




“Antes de morrer você ouvirá o chamado”


Talvez O Chamado tenha sido o primeiro filme americano baseado em um horror japonês. Essa onda de adaptações continua gerando fruto dez anos depois do lançamento deste filme. Seja por falta de criatividade dos roteiristas de Hollywood, seja pela sede por grandes bilheterias, o cinema japonês de horror trouxe sangue novo ao gênero.

Particularmente gostei de O Chamado. A fotografia é incrível, deixando um ar de nublado e um clima denso desde o início do filme. Início, aliás, que não poderia ser melhor: Duas amigas falam bobagem no quarto de uma delas até que o assunto da fita que mata em sete dias quem assiste vem à tona. Uma delas assistiu à fita  há exatamente uma semana e logo ela descobre da pior maneira a veracidade da lenda. Sua tia, a jornalista Rachel Keller (Naomi Watts) fica intrigada com a misteriosa morte da sobrinha e decide investigar mais sobre o boato. Ela aluga um chalé nas montanhas, o mesmo em que sua sobrinha assistiu à fita e também assiste. O conteúdo da fita é como citado no filme, cenas de um pesadelo, mas sem diálogos ou coisa parecida. Logo após o término da fita, Rachel recebe uma ligação que simplesmente diz: Sete dias.


A partir daí, Rachel começa uma corrida contra o tempo para descobrir as origens da fita e como salvar a si mesma e o seu filho, que fatalmente acaba assistindo também.


O filme seria perfeito não fossem os buracos no roteiro (Por que Rachel continua sofrendo os "sintomas" da maldição mesmo tendo feito uma cópia?) e a conclusão morna. Apesar disso, continua sendo um bom programa. Como extra, aí vai um vídeo com o conteúdo original da fita amaldiçoada. Só não vá se assustar se seu telefone tocar depois. Mwahahaha.



Curiosidades:

  • Há várias imagens sutis de círculos no filme, como os desenhos na blusa da médica, o ralo do chuveiro e o número do apartamento de Rachel;
  •  A cena do suicídio na banheira era muito mais gráfica. Os produtores acabaram cortando para conseguir uma certificação PG-13 da MPAA ( Equivalente a 14 anos no Brasil);
  • Um bom tempo antes de o filme estrear, o vídeo "amaldiçoado" foi utilizado como comercial nos EUA sem mencionar o nome do filme.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Uma boa sequência em Premonição 2


Premonição 2 (Final Destination 2, EUA, 2003)
Direção: David R. Ellis
Elenco: Ali Larter, A.J. Cook, Tony Todd, Michael Landes, David Paetkau, Jmes Kirk, Lynda Boyd, Keegan Connor Tracy, Jonathan Cherry, Terrence T C Carson, Justina Machado, Sarah Carter, Alejandro Rae, Shaun Sipos, Andrew Airlie.
SINOPSE: Quando Kimberly (A.J. Cook) tem uma vívida premonição de um grande acidente em uma rodovia, ela enlouquece e consegue salvar algumas pessoas de enfrentarem seu destino, ou não? Os sobreviventes começam misteriosamente a morrer e Kimberly tem que parar isso antes de ela ser a próxima.





“Mais velocidade. Mais terror. Mais morte”

Invariavelmente no cinema de ação e horror, quando um filme alcança uma grande bilheteria, independente de sua qualidade cinematográfica, uma sequência é esperada. A não ser que essa sequência não renda nas salas de cinema, mais sequências virão, assim como visto mais recentemente em Jogos Mortais e na franquia Premonição.

Fenômeno de público e elogiado pela crítica, o primeiro Premonição utilizou de uma fórmula original e eficaz. No segundo filme a solução geralmente é manter a tendência do original e aumentar tudo. Exatamente o que ocorreu com esse. Saem Jeffrey Reddick, James Wong e Glen Morgan (que dirigiriam depois Premonição 3), entram os talentosos Eric Bress e J. Mackye Gruber (que escreveriam em 2004 o excelente Efeito Borboleta) e o diretor David R. Ellis (Celular - Um grito de socorro).

Logo no início, não nos decepcionamos: No lugar do avião, a premonição da vez envolve um mega-engarrafamento causado por um acidente com um caminhão que carregava enormes troncos de árvore. O acidente, não menos que perfeito, era somente um sonho da protagonista Kimberly (A.J. Cook), mas como o filme é Premonição, é de se prever que o acidente ocorra realmente depois. Ela e mais algumas pessoas (que agora são desconhecidas, diferente do original), se salvam e começam a morrer das formas mais bizarras em seguida, por terem escapado do Destino Final. Entre os elementos bacanas no filme, temos mais uma vez a participação especial de Tony Todd (Candyman) e a volta da sobrevivente Clear Rivers (Ali Larter).

Até aí, nada de novo, tudo bem. Mas a habilidade dos roteiristas Gruber e Bress injetou sangue novo na franquia, que contou com novidades (a referência direta ao primeiro filme e a reviravolta no final) e transformou Premonição 2 em uma sequência digna e os produtores de olho em uma parte 3.


Curiosidades:

  • SPOILER!!!!!! Os personagens Kimberly e Thomas são os únicos que "enganaram a morte" de verdade. Todos os outros "sobreviventes" da franquia morrem nos finais de seus filmes, após alguma reviravolta ou no filme seguinte (Clear e Alex do original);
  •  Devon Sawa (o Alex do original) se recusou a paricipar do filme devido à razões contratuais (no filme é apenas feita menção a sua morte).


quinta-feira, 8 de março de 2012

Terror à flor da pele em "Cabana do Inferno"

Cabana do Inferno (Cabin Fever, EUA, 2002)
Direção: Eli Roth
Elenco: Rider Strong (Paul), Jordan Ladd (Karen), James DeBello (Bert), Cerina Vincent (Marcy), Joey Kern (Jeff), Robert Harris (Velho Cadwell), Arie Verveen (Henry Ermitão).
Sinopse: Um grupo de cinco amigos, ingressantes na faculdade, alugam uma cabana na floresta e se tornam vítimas  de um horrível vírus que "come a pele", o que atrai a indesejada atenção da população homicida local e os obriga a lutar por sua sobrevivência.







"Invisível. Silencioso. Mortal"






De vez em quando aparece no cinema (em particular, no cinema de horror), um jovem talento que, com um pequeno orçamento, filma uma pérola do gênero. O nome em questão é Eli Roth, que quatro anos depois deste surpreendente Cabana do Inferno filmaria, com apadrinhamento de Quentin Tarantino (Pulp Fiction, Kill Bill, À prova de morte) o violento e instigante O Albergue (2006). Em 1995, Roth escreveu junto com o amigo Randy Pearlstein o rascunho do roteiro de Cabana do Inferno, mas passou anos buscando dinheiro para o financiamento do filme, sem sucesso. Nesse meio tempo, Eli Roth se mudou para Los Angeles, produziu, fez as vozes e dirigiu junto com Noah Belson a divertida e sádica animação "The Rotten Fruit", que nunca chegou a ser exibida na TV. Em 2001, ele finalmente conseguiu a modesta quantia de 1,5 milhão de dólares, composta por dinheiro de familiares, amigos e três pequenas produtoras (Deer Path, Down Home e Black Sky) para filmar o roteiro de Cabana do Inferno.















No festival de Toronto de 2002, a Lions Gate entrou nos "créditos", adquirindo os direitos de distribuição da película,  o filme recebeu elogios de Tarantino, Peter Jackson (O senhor dos Anéis) e Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica e Poltergeist), se tornando um sucesso de público e crítica e catapultando a carreira do talentoso Roth.

O enredo gira em torno de cinco amigos, os adolescentes estereotipados Paul (o bom moço), Karen (a mocinha), Marcy (a "safada"), Jeff (o egoísta) e Bert (o engraçadinho e boca-suja). Eles saem de férias rumo a uma cabana no meio da mata (referência explícita a "Evil Dead"). No entanto, os personagens não são tão superficiais quanto em outras amostras do gênero. Por exemplo, aqui todos podem morrer e não há um Jason escolhendo suas vítimas, já que não há uma divisão clara de papeis e todos acabam tendo tempo de tela similar, o que dificulta fazer previsões sobre seus destinos. O assassino é um vírus silencioso e devastador, que "come" a pele do infectado de dentro para fora. Assim, não dá para apostar em quem vive e quem morre. O clima quase claustrofóbico contribui para o clima de tensão e cenas repugnantes (palmas para a equipe de maquiagem da KNB). Além disso tudo, há diversas referências a filmes de horror (O iluminado, Evil Dead e A noite dos Mortos-vivos), toques de humor bem encaixados e cenas antológicas. 


Como comentei no Filmow, é possível fazer cinema de qualidade sem muita grana. Mas somente quando o pessoal por trás das câmeras tem talento e paixão pela sétima arte, o que felizmente é caso de Eli Roth.





Curiosidades:
  • John Neff, editor de som do filme, adoeceu, vítima de uma bactéria real que "comia" a  pele, bactéria esta que o diretor Roth teve quando viajou para a Islândia e  que lhe serviu de inspiração para o filme;
  • Peter Jackson ficou tão entusiasmado com o filme, que durante as gravações da terceira parte de "O senhor dos Anéis" ele o exibiu para a produção três vezes;
  • O filme foi o mais barato da Lions Gate (US$ 1,5 milhão).

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Remake de um clássico em Viagem Maldita

Viagem Maldita (The Hills Have Eyes, EUA, 2006)
Direção: Alexandre Aja
Elenco: Aaron Stanford (Doug Carter), Kathleen Quinlan (Ethel Carter), Vinessa Shaw (Lynne Carter), Emilie DeRavin (Brenda Carter), Dan Byrd (Bobby Carter), Robert Joy (Mutante Lizard), Michael Bailey Smith (Mutante Pluto), Billy Drago (Papa Jupiter), Ted Levine (“Big” Bob Carter).
SINOPSE: História de uma família em férias com direção à Califórnia, que, no entanto, é desviada com muito pavor a um trecho desolado do deserto, levando seus viajantes a ficarem presos em uma zona atômica do governo. Longe de tudo, a família Carter logo percebe que esta aparente desabitada terra devastada é, na verdade, local de procriação de uma cruel e sanguinária família de mutantes...que fará deles suas presas, enfrentando assim uma batalha desesperada pela sobrevivência.






“Quem tem sorte morre primeiro”



O ano de 2006 foi bom para o cinema de horror. Além de Abismo do Medo e O Albergue, sucessos de bilheteria, nesse ano também estreou no Brasil o bom Viagem Maldita, refilmagem de Quadrilha de Sádicos (1977), dirigida por Wes Craven. Os planos para a produção do remake já vinham desde 2003, quando os cineastas franceses Alexandre Aja e Gregory Levasseur (vindos do pequeno sucesso francês Alta Tensão) tiveram a primeira reunião com Wes Craven. 


A trama envolve uma típica família americana em período de férias, cujo patriarca “Big” Bob (Ted Levine) decide fazer o caminho por uma parte do deserto do Novo México, após a manjada dica de um dono de posto de gasolina, por uma paisagem desolada e assustadora. Porém o que a família Carter não sabia é que este trecho do deserto foi usado como zona atômica de testes para o governo americano, e que uma família de mutantes vivia por lá, se alimentando dos incautos e utilizando as mulheres para procriação (como visto na parte 2).

O filme é ultraviolento, tendo sua versão sem cortes lançada somente posteriormente em homevideo. Diferentemente da maioria dos remakes atuais, Viagem Maldita é muito competente em transpor a história para os dias modernos. Outros grandes trunfos foram a direção de arte, capaz de criar um posto de gasolina realista, bem como os sinistros casebres da vila de testes nuclear; também há destaque na maquiagem e efeitos especiais dos mutantes, tudo feito para assustar e ao mesmo tempo evocar o realismo necessário no filme. E finalmente, a transformação de um pacato e mesmo covarde cidadão em um violento vingador fazem desse filme um belo filme de horror do subgênero mutantes e attack-and-revenge, que se torna um grande survival movie.

Curiosidades:

  • Embora a produção (americana) quisesse que as filmagens fossem realizadas nos EUA, o diretor Alexander Aja insistiu (e conseguiu) que o deserto utilizado fosse o de Marrocos;
  • As imagens reais de mutação que aparecem no início do filme não são causadas por radiação e sim pelo uso do "Agente Laranja" na guerra do Vietnã;
  • O posto de gasolina construído em Marrocos foi tão bem feito que algumas pessoas que passavam paravam para abastecer.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Sexta-Feira 13: O início da saga

Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, EUA, 1980)
Direção: Sean Cunningham
Elenco: Betsy Palmer (Pamela Voorhees), Adrienne King (Alice), Ari Lehman (Jason Voorhees), Kevin Bacon (Jack), Harry Crosby (Bill), Walt Gorney (Crazy Ralph).
SINOPSE: O acampamento Crystal Lake será reaberto. Monitores ansiosos, seus olhos brilhando com nobres ideias e seus hormônios à flor da pele. Eles estão prontos para liderar as canções e brincadeiras dos hóspedes. Mas há um jogo que não constava na lista de atividades. Alguém resolveu de brincar de Mate o Monitor.







ATENÇÃO: O TEXTO ABAIXO CONTÉM INFORMAÇÕES RELEVANTES SOBRE O ENREDO (SPOILERS), ENTÃO NÃO LEIA SE AINDA NÃO VIU O FILME

A franquia de filmes Sexta-feira 13 se tornou famosa por vários aspectos. O sucesso do primeiro filme, seu conteúdo e a criação de um ícone do cinema são alguns deles. Na época de lançamento do primeiro filme, o público americano estava gostando dos lançamentos slashers, filmes com assassinos cruéis, urbanos e violentos. Foi o caso dos clássicos Aniversário Macabro (esse não um slasher) e Halloween, filmes da segunda metade da década de 70 e que fizeram grande sucesso de audiência. Sean Cunningham, que havia trabalhado com Wes Craven em Aniversário Macabro, percebeu isso, e com um orçamento modesto (estimado em 550 mil dólares), criou o primeiro filme que viria a ser sinônimo do assassino Jason.
Um dos fatos curiosos deste filme é que Jason quase não aparece (exceto por alguns flashbacks e pela cena final) e não é ele o assassino deste filme.
Sua mãe Pamela Voorhees (Betsy Palmer) é o algoz dos pobres monitores que estão tentando reabrir o acampamento Crystal Lake, fechado há anos e que foi cenário da morte por afogamento de Jason, filho único de Pamela.
Apesar do estrondoso sucesso, Sexta-Feira 13 não é nem de longe o melhor filme dentre seus “companheiros” slashers. Foi uma cópia assumida (na formatação do enredo) de Halloween e contém atuações extremamente canastronas. Entretanto, conseguiu segurar bem o mistério do assassino e apresentou bons efeitos de maquiagem (feitos por Tom Savini).

Contagem de Corpos: 10

Barry e Claudette: Esfaqueados (Off-screen).
Annie: Perseguida pela mata e esfaqueada na garganta.
Ned: Corte na garganta.
Jack: Lança trespassando sua garganta por baixo da cama.
Marcie: Machadada na testa.
Brenda: Morta e arremessada pela janela.
Bill: Flecha na garganta e no olho (off-screen).
Steve Christy: Esfaqueado na barriga.
Pamela Voorhees: Ela própria, decapitada pela heroína Alice.

Curiosidades:

  • O filme foi um estrondoso sucesso na época e continua sendo um dos maiores da história do cinema (faturou quase 40 milhões de dólares);
  • Originalmente, o personagem de Jason não seria deformado, mas os produtores queriam que ele fosse mais assustador;
  • O filme teve oficialmente nove sequências. Além delas, Jason apareceu em Freddy vs. Jason e no novo filme Sexta-Feira 13.


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