quinta-feira, 8 de março de 2012

Terror à flor da pele em "Cabana do Inferno"

Cabana do Inferno (Cabin Fever, EUA, 2002)
Direção: Eli Roth
Elenco: Rider Strong (Paul), Jordan Ladd (Karen), James DeBello (Bert), Cerina Vincent (Marcy), Joey Kern (Jeff), Robert Harris (Velho Cadwell), Arie Verveen (Henry Ermitão).
Sinopse: Um grupo de cinco amigos, ingressantes na faculdade, alugam uma cabana na floresta e se tornam vítimas  de um horrível vírus que "come a pele", o que atrai a indesejada atenção da população homicida local e os obriga a lutar por sua sobrevivência.







"Invisível. Silencioso. Mortal"






De vez em quando aparece no cinema (em particular, no cinema de horror), um jovem talento que, com um pequeno orçamento, filma uma pérola do gênero. O nome em questão é Eli Roth, que quatro anos depois deste surpreendente Cabana do Inferno filmaria, com apadrinhamento de Quentin Tarantino (Pulp Fiction, Kill Bill, À prova de morte) o violento e instigante O Albergue (2006). Em 1995, Roth escreveu junto com o amigo Randy Pearlstein o rascunho do roteiro de Cabana do Inferno, mas passou anos buscando dinheiro para o financiamento do filme, sem sucesso. Nesse meio tempo, Eli Roth se mudou para Los Angeles, produziu, fez as vozes e dirigiu junto com Noah Belson a divertida e sádica animação "The Rotten Fruit", que nunca chegou a ser exibida na TV. Em 2001, ele finalmente conseguiu a modesta quantia de 1,5 milhão de dólares, composta por dinheiro de familiares, amigos e três pequenas produtoras (Deer Path, Down Home e Black Sky) para filmar o roteiro de Cabana do Inferno.















No festival de Toronto de 2002, a Lions Gate entrou nos "créditos", adquirindo os direitos de distribuição da película,  o filme recebeu elogios de Tarantino, Peter Jackson (O senhor dos Anéis) e Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica e Poltergeist), se tornando um sucesso de público e crítica e catapultando a carreira do talentoso Roth.

O enredo gira em torno de cinco amigos, os adolescentes estereotipados Paul (o bom moço), Karen (a mocinha), Marcy (a "safada"), Jeff (o egoísta) e Bert (o engraçadinho e boca-suja). Eles saem de férias rumo a uma cabana no meio da mata (referência explícita a "Evil Dead"). No entanto, os personagens não são tão superficiais quanto em outras amostras do gênero. Por exemplo, aqui todos podem morrer e não há um Jason escolhendo suas vítimas, já que não há uma divisão clara de papeis e todos acabam tendo tempo de tela similar, o que dificulta fazer previsões sobre seus destinos. O assassino é um vírus silencioso e devastador, que "come" a pele do infectado de dentro para fora. Assim, não dá para apostar em quem vive e quem morre. O clima quase claustrofóbico contribui para o clima de tensão e cenas repugnantes (palmas para a equipe de maquiagem da KNB). Além disso tudo, há diversas referências a filmes de horror (O iluminado, Evil Dead e A noite dos Mortos-vivos), toques de humor bem encaixados e cenas antológicas. 


Como comentei no Filmow, é possível fazer cinema de qualidade sem muita grana. Mas somente quando o pessoal por trás das câmeras tem talento e paixão pela sétima arte, o que felizmente é caso de Eli Roth.





Curiosidades:
  • John Neff, editor de som do filme, adoeceu, vítima de uma bactéria real que "comia" a  pele, bactéria esta que o diretor Roth teve quando viajou para a Islândia e  que lhe serviu de inspiração para o filme;
  • Peter Jackson ficou tão entusiasmado com o filme, que durante as gravações da terceira parte de "O senhor dos Anéis" ele o exibiu para a produção três vezes;
  • O filme foi o mais barato da Lions Gate (US$ 1,5 milhão).

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Remake de um clássico em Viagem Maldita

Viagem Maldita (The Hills Have Eyes, EUA, 2006)
Direção: Alexandre Aja
Elenco: Aaron Stanford (Doug Carter), Kathleen Quinlan (Ethel Carter), Vinessa Shaw (Lynne Carter), Emilie DeRavin (Brenda Carter), Dan Byrd (Bobby Carter), Robert Joy (Mutante Lizard), Michael Bailey Smith (Mutante Pluto), Billy Drago (Papa Jupiter), Ted Levine (“Big” Bob Carter).
SINOPSE: História de uma família em férias com direção à Califórnia, que, no entanto, é desviada com muito pavor a um trecho desolado do deserto, levando seus viajantes a ficarem presos em uma zona atômica do governo. Longe de tudo, a família Carter logo percebe que esta aparente desabitada terra devastada é, na verdade, local de procriação de uma cruel e sanguinária família de mutantes...que fará deles suas presas, enfrentando assim uma batalha desesperada pela sobrevivência.






“Quem tem sorte morre primeiro”



O ano de 2006 foi bom para o cinema de horror. Além de Abismo do Medo e O Albergue, sucessos de bilheteria, nesse ano também estreou no Brasil o bom Viagem Maldita, refilmagem de Quadrilha de Sádicos (1977), dirigida por Wes Craven. Os planos para a produção do remake já vinham desde 2003, quando os cineastas franceses Alexandre Aja e Gregory Levasseur (vindos do pequeno sucesso francês Alta Tensão) tiveram a primeira reunião com Wes Craven. 


A trama envolve uma típica família americana em período de férias, cujo patriarca “Big” Bob (Ted Levine) decide fazer o caminho por uma parte do deserto do Novo México, após a manjada dica de um dono de posto de gasolina, por uma paisagem desolada e assustadora. Porém o que a família Carter não sabia é que este trecho do deserto foi usado como zona atômica de testes para o governo americano, e que uma família de mutantes vivia por lá, se alimentando dos incautos e utilizando as mulheres para procriação (como visto na parte 2).

O filme é ultraviolento, tendo sua versão sem cortes lançada somente posteriormente em homevideo. Diferentemente da maioria dos remakes atuais, Viagem Maldita é muito competente em transpor a história para os dias modernos. Outros grandes trunfos foram a direção de arte, capaz de criar um posto de gasolina realista, bem como os sinistros casebres da vila de testes nuclear; também há destaque na maquiagem e efeitos especiais dos mutantes, tudo feito para assustar e ao mesmo tempo evocar o realismo necessário no filme. E finalmente, a transformação de um pacato e mesmo covarde cidadão em um violento vingador fazem desse filme um belo filme de horror do subgênero mutantes e attack-and-revenge, que se torna um grande survival movie.

Curiosidades:

  • Embora a produção (americana) quisesse que as filmagens fossem realizadas nos EUA, o diretor Alexander Aja insistiu (e conseguiu) que o deserto utilizado fosse o de Marrocos;
  • As imagens reais de mutação que aparecem no início do filme não são causadas por radiação e sim pelo uso do "Agente Laranja" na guerra do Vietnã;
  • O posto de gasolina construído em Marrocos foi tão bem feito que algumas pessoas que passavam paravam para abastecer.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Sexta-Feira 13: O início da saga

Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, EUA, 1980)
Direção: Sean Cunningham
Elenco: Betsy Palmer (Pamela Voorhees), Adrienne King (Alice), Ari Lehman (Jason Voorhees), Kevin Bacon (Jack), Harry Crosby (Bill), Walt Gorney (Crazy Ralph).
SINOPSE: O acampamento Crystal Lake será reaberto. Monitores ansiosos, seus olhos brilhando com nobres ideias e seus hormônios à flor da pele. Eles estão prontos para liderar as canções e brincadeiras dos hóspedes. Mas há um jogo que não constava na lista de atividades. Alguém resolveu de brincar de Mate o Monitor.







ATENÇÃO: O TEXTO ABAIXO CONTÉM INFORMAÇÕES RELEVANTES SOBRE O ENREDO (SPOILERS), ENTÃO NÃO LEIA SE AINDA NÃO VIU O FILME

A franquia de filmes Sexta-feira 13 se tornou famosa por vários aspectos. O sucesso do primeiro filme, seu conteúdo e a criação de um ícone do cinema são alguns deles. Na época de lançamento do primeiro filme, o público americano estava gostando dos lançamentos slashers, filmes com assassinos cruéis, urbanos e violentos. Foi o caso dos clássicos Aniversário Macabro (esse não um slasher) e Halloween, filmes da segunda metade da década de 70 e que fizeram grande sucesso de audiência. Sean Cunningham, que havia trabalhado com Wes Craven em Aniversário Macabro, percebeu isso, e com um orçamento modesto (estimado em 550 mil dólares), criou o primeiro filme que viria a ser sinônimo do assassino Jason.
Um dos fatos curiosos deste filme é que Jason quase não aparece (exceto por alguns flashbacks e pela cena final) e não é ele o assassino deste filme.
Sua mãe Pamela Voorhees (Betsy Palmer) é o algoz dos pobres monitores que estão tentando reabrir o acampamento Crystal Lake, fechado há anos e que foi cenário da morte por afogamento de Jason, filho único de Pamela.
Apesar do estrondoso sucesso, Sexta-Feira 13 não é nem de longe o melhor filme dentre seus “companheiros” slashers. Foi uma cópia assumida (na formatação do enredo) de Halloween e contém atuações extremamente canastronas. Entretanto, conseguiu segurar bem o mistério do assassino e apresentou bons efeitos de maquiagem (feitos por Tom Savini).

Contagem de Corpos: 10

Barry e Claudette: Esfaqueados (Off-screen).
Annie: Perseguida pela mata e esfaqueada na garganta.
Ned: Corte na garganta.
Jack: Lança trespassando sua garganta por baixo da cama.
Marcie: Machadada na testa.
Brenda: Morta e arremessada pela janela.
Bill: Flecha na garganta e no olho (off-screen).
Steve Christy: Esfaqueado na barriga.
Pamela Voorhees: Ela própria, decapitada pela heroína Alice.

Curiosidades:

  • O filme foi um estrondoso sucesso na época e continua sendo um dos maiores da história do cinema (faturou quase 40 milhões de dólares);
  • Originalmente, o personagem de Jason não seria deformado, mas os produtores queriam que ele fosse mais assustador;
  • O filme teve oficialmente nove sequências. Além delas, Jason apareceu em Freddy vs. Jason e no novo filme Sexta-Feira 13.


sábado, 31 de dezembro de 2011

O demônio em pessoa no clássico O Exorcista

O Exorcista (The Exorcist EUA, 1973)
Direção: William Friedkin
Roteiro de William Peter Blatty baseado em seu próprio livro
Elenco: Linda Blair (Regan MacNeil), Ellen Burstyn (Chris MacNeil), Max Von Sydow (Padre Merrin), Jason Miller (Padre Karras), Kitty Winn (Sheron), Lee J. Cobb (Tenente Kinderman), Jack MacGowran (Burke Dennings).
SINOPSE: Chris MacNeil (Ellen Burstyn), uma atriz de cinema, começa a perceber que sua delicada filha de 12 anos Regan (Linda Blair) está agindo de maneira estranha e preocupante como o uso de palavrões e rebeldia. Após passar por uma junta de vários médicos chega-se a uma terrível conclusão: Regan está possuída pelo demônio. É feita, então, a escolha pelo exorcismo de Regan.

“O melhor filme de horror de todos os tempos”

O rótulo acima não é meu e sim de uma maioria esmagadora da crítica e público, que, assim como eu, considera O Exorcista uma obra-prima. Único filme de horror indicado à categoria de melhor filme no Oscar, achei o filme ideal para escrever no último dia de 2011 (hehe).

A minha opinião para a razão do tremendo sucesso do filme foi a de O Exorcista não ser apenas um simples filme de horror. Além da temática perturbadora por si só (que virou “moda” nos anos seguintes, gerando filmes de exorcismo até hoje), há um forte pano de fundo psicológico, que transforma o filme em um excelente Drama, apoiado em fabulosas atuações do elenco.

A primeira vez que assisti ao filme foi em 2004, aos 12 anos, na TV Aberta. Assisti por puro entretenimento, querendo me assustar, sem a profundidade que hoje vejo que o filme oferece. E confesso, terminei de assistir o filme e estava completamente aterrorizado, com aquele medo típico de criança de ir ou mesmo e levantar do sofá. Só por isso o filme já ganhou meu respeito na época. Qual é o filme de horror lançado hoje que pode ser considerado ao mesmo tempo sério e assustador?

A trama, adaptada do best-seller de William Peter Blatty, se passa na cidade de Georgetown e conta a história de Chris MacNeil, cuja jovem e doce filha Regan passa, de uma hora para outra, a se comportar de maneira rude, violenta e distante. Chris apela para os médicos, Regan se submete a uma série de dolorosos e invasivos exames, mas a junta médica não encontra seu problema. É quando os próprios médicos sugerem à Chris que tente uma prática paliativa, o Exorcismo, como força de sugestão à Regan, acreditando que isso resolveria o problema. Nesse meio tempo, conhecemos um pouco da história dos padres que realizaram a tarefa: O jovem Karras (Jason Miller), ex-lutador de boxe e que vive com a culpa de ter abandonado sua mãe idosa que depois vem a falecer, juntamente com a perda de sua fé, dessa maneira, chega a ser curioso e inteligente o recurso que o filme/livro aborda em retratar um padre psiquiatra, que naturalmente enxerga motivos racionais nas supostas "possessões", e que, para piorar, passa por uma crise de fé. Temos também o veterano padre Merrin (Max Von Sydow), que parece estar esperando por sua luta final contra o demônio após muitos anos. Na construção de personagens e nas atuações começa a grande qualidade de O Exorcista. Não temos exageros, e sim encarnações perfeitamente realistas por parte de todo o elenco, desde a vulnerável Regan até a apaixonada composição de Jason Miller. 
Não há espaço para o humor involuntário e o filme investe num constante e absurdo crescente de tensão, que choca mais pelo suspense e pelo que ocorre dentro dos personagens, do que pelas imagens violentas que povoaram o imaginário de milhões de pessoas que assistiram ao filme. Apresentando um desfecho que é, ao mesmo tempo, correto, elegante e desolador, o filme, que tem a aparência feia como Pazuzu, se revela um denso drama psicológico que revela a maestria de todos os envolvidos no processo, ainda que o filme tenha infelizmente caído na chacota e nos tabloides sensacionalistas envolvendo casos bizarros de bastidores.


Curiosidades:

  • O Exorcista foi indicado a 10 Oscar e venceu 2: Melhor som e melhor roteiro adaptado para William Peter Blatty;
  • Orçado em cerca de 11 milhões de dólares, O Exorcista faturou (até 2004) quase 360 milhões de dólares(!);
  • A perturbadora cena na qual Regan desce as escadas de forma estranha termina com ela babando sangue na nova versão do diretor. No original a cena é muito mais assustadora. Confira abaixo: 


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Saturn Award: O Oscar do Horror



Saturn Award

Prêmio anual promovido e oferecido pela Academia de Filmes de Fantasia, Horror e Ficção Científica com o objetivo de prestar homenagem aos melhores trabalhos e nos gêneros fantásticos no cinema, televisão e vídeo. O prêmio foi criado pelo Dr. Donald Reed em 1972, que sentiu que filmes do gênero horror e fantasia nunca tiveram a atenção que mereceriam naquele tempo. O troféu é uma representação do planeta Saturno, circulado por um anel de filme. O prêmio foi e ainda é chamado algumas vezes de “O rolo de ouro”.
O prêmio é quase um Oscar e tem esquema de votação similar. A seguir eu apresento todos os premiados até agora com o titulo de melhor filme de horror, uma das principais divisões da premiação:





ANO:               FILME:                            ANO:               FILME:
1973         O Conde Drácula                      1993         Drácula de Bram Stoker
1975         O Exorcista                             1994         Uma Noite Alucinante 3
1976         Jovem Frankenstein                 1995         Entrevista com o Vampiro
1977         Mansão Macabra                       1996         Um Drink no Inferno
1978         A menina do outro                   1997         Pânico
lado da rua 
1979         O Homem de Palha                  1998        O Advogado do Diabo
1980         Drácula                                   1999        O Aprendiz
1981         Grito de Horror                       2000        O Sexto Sentido
1982         Um Lobisomem Americano
 em Londres                                           2001        Premonição
1983         Poltergeist                              2002        Os Outros
1984         Na Hora da Zona Morta             2003        O Chamado
1985         Gremlins                                 2004        Extermínio
1986         A Hora do Espanto                   2005        Todo Mundo Quase Morto
1987         A Mosca                                  2006        O Exorcismo de Emily Rose
1988         Os Garotos Perdidos                2007        Abismo do Medo
1990         Os Fantasmas se divertem       2008         Sweeney Todd
1991         Aracnofobia                            2009         Hellboy 2
1992         O Silêncio dos Inocentes          2010         Arraste-me para o Inferno
                                                            2011         Deixa ela Entrar
                                                             2012        Millennium
                                                             2013        O Segredo da Cabana
                                                             2014        Invocação do Mal
                                                             2015         Drácula: A História Nunca Contada

UPDATE: Já no passado criticado por ser muito largo e não premiar somente trabalhos que se encaixem no gênero fantástico, o Saturn Award tem se tornado um festival que mistura muitos gêneros, basta visualizar o vencedor de melhor filme de horror/thriller em 2012 que foi Millenium (!!!)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...