quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Dia das Crianças Macabro

Não. Não é o mais novo lançamento sensacionalista slasher do cinema, embora a ideia possa render até um filminho razoável (hehe). Na semana do Dia das Crianças vem à memória grandes filmes de terror com crianças nada inocentes ou angelicais. A ideia de que uma criança pode ser tão ou mais cruel do que um adulto no cinema (ou na vida real) sempre surgiu como algo extremamente aterrorizante, afinal de contas, quem consegue matar uma criança? Alguns destes filmes foram grandes sucessos de público ou de crítica, ao fazer abordagens originais de pentelhos malvados. A lista aqui apresentada (em ordem de periculosidade do infante ou qualidade do filme) representa uma visão pessoal e crítica, fiquem à vontade para discordar e adicionar seus favoritos nos comentários. 



15. Cole, Kyra Collins e outros em "O Sexto Sentido" (1999) 
O neoclássico de M. Night Shyamalan não enfocava diretamente o papel de "crianças do mal", mas o pequeno Cole (Haley Joel Osment) era o protagonista que via gente morta, e algumas delas eram crianças realmente assustadoras, destaque para a personagem Kyra Collins (interpretada por uma jovem Mischa Barton) que aparecia sempre de surpresa, elevando o grau do susto.
Obs.: Não consegui postar o vídeo direto, então segue o link 
http://www.youtube.com/watch?v=HRAjzK75M0U

14. Lilith Sullivan em "Caso 39" (2008)
Uma assistente social (Renée Zellweger) luta pela guarda de uma jovem garota por causa de seus perigosos pais. Ela vem a descobrir depois que a jovem nada tem de inocente. Destaque para a cena abaixo. Brr...

13. Danny e as Irmãs Grady em "O Iluminado" (1980)
Baseado no best-seller de Stephen King, o filme dirigido por Stanley Kubrick conta a história de uma família que parte para um tenebroso hotel que tem um passado sangrento. O filho do casal Torrance, Danny, tem poderes sobrenaturais que lhe permitem, por exemplo, vislumbrar o futuro (e o passado). Numa dessas visões o menino encontra as Irmãs Grady. Confira:


12. Menino Toshio em "O Grito" (2004)"
Horrores orientais sempre são carregados nos sustos. O que dizer então de um sinistro menino com pele pálida e olhos negros, que pode ser o fantasma de uma criança morta brutalmente. Destaque para o arrepiante som de miado que ele solta quando algo ruim está para acontecer...

11. Karen Cooper em "A Noite dos Mortos-Vivos" (1968)
O foco do neoclássico de George Romero não eram crianças assassinas, e sim zumbis assassinos. Mesmo assim, não há como deixar de notar a chocante cena na qual uma zumbificada Karen Cooper mata sua mãe à "pazadas". O matricídio foi uma das cenas antológicas do filme.

10. Charlie McGee em "A Incendiária"(1984)
A pouca conhecida adaptação de Stephen King perdeu força no meio de vários lançamentos da época, mas merece entrar nesta lista por conter uma criança (Drew Barrimore) dotada de poderes piro-cinéticos nascida de pais que foram cobaias em um experimento secreto.  

9. Gage em "Cemitério Maldito"(1989)
Outra adaptação de King, Cemitério Maldito conta a história de uma pequena família que se muda para uma casa próxima a um cemitério indígena de animais. Depois de o pequeno e angelical Gage morrer atropelado, o desesperado pai busca uma forma de reviver seu filho no místico cemitério. O problema é que Gage volta como um menino muito mal-comportado.

8. As crianças de "Colheita Maldita"(1984)
Stephen King mais uma vez presente na lista. O pequeno Colheita Maldita apresenta não só uma, como várias crianças e pré-adolescentes que não obedecem aos pais. Quando um casal chega a cidadezinha de Gatlin, eles encontram uma verdadeira multidão de crianças que tomaram a cidade seguindo fielmente um rito que não permite que maiores de 18 anos permaneçam vivos na cidade. Azar de Linda Hamilton e Peter Harton

7. Samara Morgan em "O Chamado" (2003)
A sapeca menina Samara (presente nos originais japoneses e nos dois filmes americanos) adora nadar em um poço e sempre tem tempo para ligar para os amigos anunciando uma visita em sete dias. Só que nem sempre a visita é bem-vinda...

6. Regan Mcneil em "O Exorcista" (1974)
O filme que apavorou toda uma geração conta como protagonista o próprio tinhoso, ou melhor, a doce menina Regan (Linda Blair) que de uma hora para outra passa a se comportar estranhamente, ficando desbocada e violenta.

5. As crianças de "A Aldeia dos Amaldiçoados"(1960)
Tanto o original quanto o remake de 1995 (A Cidade dos Amaldiçoados) contam a história de mulheres de uma cidade que simultaneamente são engravidadas por entidades alienígenas, gerando crianças não tão normais assim. Para quem acompanha Os Simpsons, o filme foi parodiado em um episódio no filme de terror The Bloodening (O Sanguinolento).


4. O bebê de "Nasce um Monstro"(1974)
O pequeno cult que era exibido regularmente no Cinema em Casa do SBT tem como vilão um bebê (!) monstro, nascido de uma mulher que usou remédios para ajudá-la a engravidar. O bebê é tão malcriado que começa a matança na sala de parto. Tem apenas uma coisa errada com o bebê dos Davis: Está vivo.


3. Henry em "O Anjo Malvado"(1993)
Depois de brilhar na serie infantil de sucesso Esqueceram de Mim, Macaulay Culkin encarnou um personagem totalmente diferente. O garoto Mark (Elijah Wood) vai morar com seus tios e seu primo Henry (Culkin) que prova ser um verdadeiro psicopata. O final do filme ainda choca.

2. A Menina Esther em "A Órfã"(2009)
Um dos poucos terrores originais da Dark Castle, o filme apresenta sua protagonista: Uma garota de 9 anos chamada Esther que é adotada por um jovem casal. Não é preciso adivinhar que ela se tornará uma ameaça à vida da família. Apesar do final boboca, entrega uma grande mini-vilã

1. Damien em "A Profecia"(1976)
O capetinha (literalmente) Damien demonstra ser o verdadeiro anticristo quando estranhos acontecimentos envolvendo violentas mortes começam a acontecer à sua volta.



Menção Honrosa para Brinquedo Assassino, que embora não apresente uma criança vilã, e sim um boneco, gira em torno de todo um universo infantil. Que tal ganhar um Chucky no próximo dia das crianças?

domingo, 7 de outubro de 2012

Horror gótico em "A Mulher de Preto"

A Mulher de Preto (The Woman in Black, Inglaterra, 2012)
Direção: James Watkins
Elenco: Sophie Stuckey (Stella Kipps), Daniel Radcliffe (Arthur Kipps), Misha Handley (Joseph Kipps), Jessica Raine (Nanny), Roger Allam (Sr. Bentley), Lucy May Barker (Empregada), Ciarán Hinds (Daily), Shaun Dooley (Fisher), Mary Stockley (Sra. Fisher), Alexia Osborne (Victoria Hardy).
SINOPSE: Na história, o jovem advogado Arthur Kipps (Radcliffe) precisa viajar para uma região remota da Inglaterra para cuidar dos papeis de um cliente recém-falecido. Enquanto trabalha na casa antiga e isolada, Kipps começa a descobrir seus trágicos segredos. A situação piora quando ele entende que  o vilarejo é refém do fantasma de uma mulher magoada, em busca de vingança.




“Você acredita em fantasmas?”





Daniel Radcliffe ficou conhecido por interpretar o bruxo Harry Potter na famosa e cultuada serie de oito filmes de sucesso. A produtora inglesa Hammer, de volta ao mercado recentemente com os bons A Inquilina e Deixe-me Entrar se une ao astro Radcliffe para produzir um interessante horror no estilo gótico que remete às primeiras décadas do cinema do gênero.

Baseado no livro de Susan Hill e remake do filme homônimo de 1989, desta vez com o roteiro escrito por Jane Goldman (Kick-Ass, X-Men Primeira Classe), A Mulher de Preto conta a história do jovem advogado Arthur Kipps (Radcliffe). Em dificuldades emocionais e financeiras após perder a mulher no parto de seu pequeno filho, Kipps ainda não superou o fato e tem uma última chance de manter o seu emprego viajando para uma cidadezinha para cuidar da papelada e testamento de uma viúva que deixou uma velha mansão, sem herdeiros. Chegando lá, o advogado é recebido com hostilidade pela população local, que teme que sua presença na casa da viúva morta (a mulher de preto) possa iniciar uma nova serie de mortes infantis inexplicáveis, que é o que justamente ocorre quando Arthur começa a ter visões da mulher constantemente, adicionadas a barulhos estranhos pela casa.

O filme acerta ao estabelecer o tom frio e opressor graças à sua belíssima direção de arte e fotografia predominantemente em tons de cinza, ainda ressaltando o isolamento de Kipps em planos abertos e sendo eficiente nos sustos que entrega. Outro acerto é na escolha do protagonista: Radcliffe se entrega ao personagem, apresentando uma atuação sem exageros e fazendo com que nos identifiquemos com o sofrimento do personagem.

A mesma qualidade, entretanto, desaparece na condução de seu roteiro, que dá voltas e mais voltas (sem ser cansativo, no entanto) sem oferecer nenhuma “solução”, e que ainda apresenta exageros (Por que Kipps se jogou ao pântano por causa de um esqueleto do filho da viúva?). E o pior é que acaba entregando uma conclusão simplista demais para o desenvolvimento que, mal ou bem, vinha oferecendo. Um bom programa de horror, contudo.


Curiosidades:

  • Adrian Rawlins que, pai de Daniel Radcliffe na serie Harry Potter, foi o protagonista da versão de 1989;
  • O jovem ator que interpreta o filho de Radcliffe no filme é seu real afilhado, a ideia foi lançada por Radcliffe para dar mais veracidade à relação entre eles.


domingo, 30 de setembro de 2012

O Universo de Alien de volta em "Prometheus"


Prometheus (Inglaterra/EUA, 2012)
Direção: Ridley Scott
Elenco: Noomi Rapace (Elizabeth Shaw), Charlize Theron (Meredith Vickers), Michael Fassbender (David), Idris Elba (Janek), Guy Pearce (Peter Weyland), Logan Marshall-Green (Charlie Holloway), Sean Harris (Fifield), Rafe Spall (Millburn), Emun Elliot (Chance), Benedict Wong (Ravel), Kate Dickie (Ford).
SINOPSE: Um grupo de cientistas viaja através do universo a bordo da espaçonave Prometheus numa jornada para investigar formas de vida alienígena. A equipe acaba descobrindo que precisa lutar pela sobrevivência, enquanto fica claro que os horrores que experimentam representam uma ameaça não só para eles, como para toda a humanidade.


PODE CONTER SPOILERS

“A busca pelas nossas origens pode levar ao nosso fim”




Em 1979 Ridley Scott dirigiu o clássico de ficção científica e suspense Alien - O Oitavo Passageiro. Super-influente, o filme gerou três sequências e dois crossovers Alien vs. Predador, gerando toda uma mitologia e cultura sobre a série. Os planos para uma sequência (ou uma pré-sequência) grandiosa vinham desde o último Alien, dirigido por Jean-Pierre Jeunet em 1997. Mas depois de a Fox lançar os fracos confrontos Alien vs. Predador (que além de não ter nenhuma conexão com a quadrilogia original, apresentavam narrativas típicas de filmes de ação, e não de suspense), a ideia foi postergada. Somente em 2010 o projeto tocou para frente e Ridley Scott pareceu a escolha ideal para dirigir tal projeto. 

Prometheus é um filme que aposta mais na filosofia em suas ideias do que na ação desenfreada e em explosões barulhentas (embora haja alguma ação). O filme começa com um ser similar a um humano se sacrificando em prol da criação da vida humana na Terra. Em seguida vemos um casal de cientistas (Noomi Rapace e Logan Marshall-Green) que acha evidências de uma localização no universo de onde vieram nossos criadores, em pinturas numa caverna. Patrocinados pela ambiciosa companhia Weyland (Weyland-Yutani nos outros episódios), o casal e mais um grupo de cientistas parte em uma jornada tentando encontrar nossas origens.

E tentar é mesmo a palavra: O que falha em Prometheus são alguns elementos de sua narrativa. Alguns são furos, outros perguntas sem resposta. Por exemplo, quais são os reais objetivos do androide David? Por que ele infecta a bebida de Charlie? Por que uma "lula gigante" acaba dando origem a um ser muito parecido com o xenomorfo tradicional. No final parece que Prometheus poderia ser até melhor, mas o resultado é bastante positivo tanto em sua concepção filosófica como em sua técnica, onde o filme é perfeito. Utiliza e muito bem os efeitos especiais de ponta em uma fotografia mais escura e uma direção de arte caprichada. Outro destaque vai para a atuação de Fassbender, que merece ser indicada a algum prêmio. A conclusão é que Prometheus é um bom filme, que consegue entreter e ainda faz refletir sobre as questões mais profundas da humanidade.


Curiosidades:

  • H R Giger, o artista responsável pelo design do Alien original, foi chamado nesse filme para trabalhar com engenharia reversa nos designs dos alienígenas de Prometheus;
  • Os nomes dos androides na serie seguem uma ordem alfabética: Ash em Alien, Bishop em Aliens e Alien 3, Call em Alien - A Ressurreição e David em Prometheus;
  • O filme rendeu até a presente data mais de 300 milhões de dólares.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Terror brasileiro em "Desaparecidos"

Desaparecidos (Brasil, 2011)
Direção: David Schurmann
Elenco: Charlene Chagas (Alexa), Natalia Vidal (Kamila), Pedro Urizzi (Marco), André Madrini (Rodrigo), Fernanda Paviani (Fábia), Adriana Veraldi (Carla), Francisco Carvalho (Pescador), Eliot Tosta (Namorado).
SINOPSE: Uma festa VIP particular em uma ilha tropical cercada pela mata. O convite é uma pequena câmera que os convidados tem que pendurar em volta do pescoço durante toda a festa. As câmeras gravam aleatoriamente e eles nunca sabem quando elas estão ligadas. Parece com a melhor festa de todas, não? Até um grupo de amigos desaparecer na floresta. Após semanas suas câmeras são encontradas, nelas descobrimos o que aconteceu, e porque as autoridades decidiram não revelar essas imagens.



Desde 1999 quando A Bruxa de Blair apavorou as plateias de todo o mundo com seu estilo found footage apoiado na campanha de publicidade na Internet (que ainda não era popular como hoje), o mundo percebeu que com uma boa ideia na cabeça e pouco dinheiro era possível fazer cinema com qualidade (Outros diretores, como Ruggero Deodato na Itália também usaram o recurso de mockumentary, mas aí já é ir um pouco longe). Por outro lado, sempre quando um projeto desse tipo surge resta a dúvida se os realizadores optaram por esse estilo apenas para poupar dinheiro e pegar carona no sucesso de outros filmes. Infelizmente esse é o caso de Desaparecidos, longa brasileiro dirigido pelo documentarista David Schurmann (do premiado O Mundo em Duas Voltas).

A história é simples: Um grupo de jovens amigos é convidado para um festa VIP no litoral cujo convite é uma câmera (!) que deve ser pendurada no pescoço ininterruptamente. Chegando à festa, os jovens começam a desaparecer um a um, vitimas de algo que não vemos claramente durante o filme. 

Mostrando que entende muito de publicidade e técnicas de filmagem, Schurmann não erra na verossimilhança ao nos apresentar os personagens nas sequências anteriores à festa, utilizando um bom senso em relação ao que as câmeras gravam (elas ligam e gravam aleatoriamente, nunca se sabe quando estão gravando). A mesma qualidade não é demonstrada nas sequências de tensão, algumas das quais chegam a causar risos involuntários e raiva dos protagonistas, como a personagem que grita histerica e incessantemente o nome Rodrigo (que verossímil ou não, se torna irritante e se parece com um engodo para o roteiro). Além disso, apesar da curta duração (pouco mais de 70 minutos), a narrativa se arrasta justamente por causa da falta de diálogos, argumentos e um fio condutor mais atraente e menos tedioso. Apesar de tudo, é um passo a frente para a cinematografia de horror brasileira.



Curiosidades:

  • David Schurmann faz uma ponta durante os créditos finais no papel de um policial;
  • O filme foi produzido sem leis de incentivo cultural;

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Medo real em "Sem Saída"


Sem Saída (Eden Lake, Inglaterra, 2008)
Direção: James Watkins
Elenco: Kelly Reilly (Jenny), Michael Fassbender (Steve), Tara Ellis (Abi), Jack O’Connell (Brett), Finn Atkins (Paige), Jumayn Hunter (Mark), Thomas Turgoose (Cooper), James Burrows (Harry), Tom Gill (Ricky), Lorraine Bruce (Tanya).
SINOPSE: Steve (Fassbender) pretende levar sua namorada Jenny (Reilly) para um local paradisíaco para pedi-la em casamento. Se recusando a permitir que algo estrague seu final de semana romântico, o casal confronta uma gangue de delinquentes juvenis com consequências terrivelmente brutais.

A RESENHA PODE CONTER SPOILERS



“Mas eles são apenas crianças!”




Escrevo este texto no momento em que acaba de ocorrer no Rio de Janeiro a morte violenta de vários jovens executados por traficantes, provavelmente por eles terem cruzado a comunidade onde tais criminosos são os “reis do tráfico” e também para a propria demonstração de poder dos bandidos. Indo um pouco mais longe nos casos de violência, tivemos a morte do casal Luana Friedenbach e Felipe Caffé em 2003, que chocou a todos pelo fato de os jovens terem sofrido todo tipo de tortura física e psicológica por vários dias nas mãos de seus algozes, entre eles um menor de idade, um fato do qual me lembrei ao terminar de assistir este Sem Saída. A violência urbana e desmedida infelizmente nunca esteve tão palpável como nesses últimos “tempos”.


Se começo o texto desta maneira é porque a violência cometida por crianças/adolescentes e a passividade de seus pais diante de seus crimes é parte fundamental de Eden Lake. No estudo do medo e do cinema de horror cabe fazer a distinção a meu ver de dois “tipos” de medo. O medo real que sentimos todos os dias ao sair (ou permanecer) em casa, o medo de perder alguém querido vítima de violência, ou de sermos nós mesmos vítimas dela, e o medo que nos serve muitas vezes como escapismo ao outro medo, o medo do sobrenatural, o medo que sentimos ao assistir a filmes de terror, onde o compadecimento é compartilhado com os protagonistas apenas em parte. Esse seria um medo “saudável” e que, em contraposição ao outro tipo de medo, serviria inclusive para aplacar nosso stress diário. Por isso mesmo, os filmes de terror mais chocantes sejam aqueles que nos mostram o horror real, que poderia muito bem acontecer conosco (guardadas as devidas proporções), fazendo com que literalmente nos coloquemos na pele dos protagonistas.

Sem Saída é um horror inglês que conta a história do casal Jenny e Steve (Reilly e Fassbender) que sai para um fim de semana romântico à beira de um belo lago. Chegando lá, eles encontram um grupo de adolescentes baderneiros e delinquentes, que logo se tornam uma ameaça real quando ocorre um embate entre eles e o casal. Agora os dois precisam lutar por suas vidas ante a presença dos perigosos jovens.

Sem Saída nos coloca como poucos filmes na pele do casal principal, fazendo além de nos importarmos muito com aquelas pessoas (um pressuposto fundamental do gênero), que nos coloquemos na pele delas, e compartilhemos seu sofrimento, senão físico, psicológico, como mostra uma cena em especial na qual um personagem assiste, sem poder fazer nada, uma tortura dolorosa e gráfica.

Além disso, o diretor de fotografia Christopher Ross cuida bem do visual cada vez mais opressor, apostando em fotografia levemente escurecida no início do filme, e em planos gerais que salientam o isolamento dos protagonistas. Atuações são outro ponto forte, sobretudo a de Kelly Reilly, que traz para sua interpretação o sofrimento e a angústia necessários para que a trama funcione, como na cena em que enfia um caco de vidro no pescoço de um dos adolescentes, mas logo em seguida o toma em seus braços sentindo leve remorso não só pelo ato em si, mas também pela perda de uma vida em desenvolvimento, pois sua personagem é uma educadora infantil.

O único ponto negativo reside em algumas situações forçadas, como na cena onde Jenny precisa se esconder de seus algozes e, num momento está encurralada em volta de um container, e no outro, já está por cima dele, revelando o uso de um clichê básico e prejudicando (mas só por um momento) a realidade da situação.

Por fim, Sem Saída entrega um desfecho brutal e sem concessões, finalizando sua trama com a crueldade que vinha entregando desde o segundo ato. Fica um nó na garganta, uma sensação de impotência e frustração justamente por não termos obtido o desejado final feliz. Ponto para o diretor Watkins (A Mulher de Preto), que não se entregou às convenções hollywoodianas e se manteve fiel à verossimilhança impressa pelo restante do filme, e ponto para o cinema de horror inglês, que vem lançando grandes filmes nos últimos anos.

De quebra, o filme ainda nos passa uma mensagem social nada sutil: crianças podem ser muito perigosas, sobretudo com pais levianos e condescendentes.



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