sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O Herdeiro do Diabo

O Herdeiro do Diabo (Devil's Due, EUA, 2014)
Diretor: Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett
Elenco: Allison Miller (Samantha), Zach Gilford (Zach), Sam Anderson (Padre Thomas), Roger Payano (Motorista de Táxi), Vanessa Ray (Suzie), Bill Martin Williams (Ken), Geraldine Singer (Sally), Julia Denton (Natalie), Colin Walker (Stanley), Madison Wolfe (Brittany), Joshua Shane Brooks (Braedon), Aimee Carrero (Emily).
SINOPSE: Logo após o casamento de Jack e Samantha, este casal apaixonado recebe a boa notícia: eles vão ter um bebê. A gravidez chega antes do planejado, mas os dois ficam contentes e começam a se preparar para a chegada do primeiro filho. Samantha começa a ficar cada vez mais tensa, nervosa. Inicialmente, todos acreditam que são apenas os hormônios em transformação, mas logo percebem que uma força maligna se apoderou do corpo dela. 



"Nem todos os milagres vem de Deus"


O herdeiro do diabo não é tão feio quanto pintaram por aí, mas é bastante inofensivo. Funcionando moderadamente como horror, O Herdeiro do Diabo segue a história de um jovem casal, Samantha e Zach McCall (Allison Miller e Zach Gilford) que estão muito felizes com o casamento que acaba de acontecer. Em sua lua-de-mel pela Republica Dominicana, o casal é convidado por um taxista (Roger Payano) para uma festa obscura nos subúrbios da cidade. Após muita bebedeira e uma ressaca para ambos, o casal volta da viagem com uma inesperada surpresa: Samantha está grávida. A felicidade toma conta do casal, com Zach gravando cada momento da gravidez com sua câmera caseira. No entanto, mudanças muito estranhas no comportamento de Samantha podem revelar algo muito mais sério do que problemas comuns da gravidez.


Beneficiado por um uso inteligente do recurso da câmera na mão, os cineastas Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett se mantêm fieis à lógica proposta pelo longa quase integralmente, e encontram maneiras muito orgânicas de acompanharem a sina dos protagonistas através de imagens de câmeras que vão além daquela que o personagem Zach utiliza, com destaque para a cena que se passa no interior de um supermercado e faz uso do sistema de câmeras de segurança do local para mostrar uma das mudanças no comportamento de Samantha. Da mesma forma, o recurso também serve para criar um sentimento de empatia muito eficiente para com o casal protagonista, através de um primeiro ato destinado a mostrar situações triviais daqueles personagens, algo que não se torna cansativo, mas acaba fazendo com que nos importemos com aquelas pessoas.


Porém, se os diretores e a roteirista estreante Lindsay Devlin acertam no formato já saturado por cinesseries como Atividade Paranormal e derivados, o longa possui os mesmos defeitos dos filmes de horror lançados atualmente, como os inúmeros sustos falsos, a maior parte deles baseada no volume estridente da trilha para causar pulos da poltrona do cinema. Além disso, a trama se mostra formulaica e óbvia, previsível desde a mudança de comportamento da mulher, que passa a comer carne, sendo anteriormente vegetariana, até a repentina troca do médico obstetra que cuida da gravidez de Samantha, algo que remete ao clássico O Bebê de Rosemary. Além disso, os diretores criam uma cena gratuita, onde Samantha está na floresta fazendo uma refeição pouco apetitosa, apenas para mostrar efeitos visuais bacaninhas onde pessoas saem voando, algo que a dupla parece gostar, a julgar pelo segmento dirigido por eles na antologia V/H/S. Pontualmente a trama ainda conta com furos pontuais de lógica (Por exemplo, como ninguém nota a movimentação na casa vizinha?) e foge, ainda que raramente, do formato proposto, momentos que podem acabar jogando o espectador para fora do filme. Criando ainda um mistério com certo nível de tensão, mas acabando por um final apressado e um gancho óbvio para uma continuação, O Herdeiro do Diabo fica no meio do caminho, mas é capaz de oferecer um bom entretenimento para os menos exigentes.

NOTA: Crítica publicada também no portal Boca do Inferno






Curiosidades: 

Os diretores construiram o filme como um "suspense macabro", e uma "história de amor enervante", em vez de simplesmente um filme de terror, que é como a distribuidora Fox Film acabou "vendendo" o filme.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Matadouro - Parte 2: Prelúdio

Matadouro - Parte 2: Prelúdio (Brasil, 2013)
Diretor: Carlos Junior  
Roteiro: Carlos Junior  
Elenco: Fabíola Antico, Thiago dos Santos, Ana Carolina, Carlos Cesar Gonçalves, Cammila Sanches, Leandro Martins, Brunno Alexandre, Kelly Andrade, DW Douglas, Maicon Amaral, Bruno Henrique Gordon, Ricardo Araújo, Fernando Novaes, Ailton Ricardo, Stephanie Berlini, Laura Marafante, Bruno Diego, Lucas Zanata
SINOPSE: Um grupo de jovens amigos se reúne em uma casa isolada para celebrar uma festa natalina, no entanto, vão percebendo que alguém muito perigoso anda à solta e transformará a festa num dos seus piores pesadelos.






Pouquíssimo tempo após lançar o primeiro capítulo de seu terror independente Matadouro, o cineasta independente mariliense Carlos Junior volta com uma sequência, ou melhor, prequel do filme que foi lançado online e atraiu centenas de fãs de horror para um filme de um gênero que, ainda bem, cada vez mais cresce no cenário amador e independente nacional.
E o filme mostra um claro avanço em relação ao anterior. Logo no início do filme, ou prólogo, temos uma cena que já mostra uma crueza e uma subjetividade que realmente incomodam. Imediatamente depois, somos apresentados ao grupo de amigos, que, já sabemos, serão as próximas vítimas a sofrerem o martírio na nova trama. E novamente, por mais realista que sejam as filmagens e os diálogos entre os amigos, há uma confusão irritante entre as falas do elenco, e em determinados momentos parece que estamos assistindo a um vídeo caseiro entre amigos de escola que acaba chateando, em vez de criar empatia, por mais verossímil que tais filmagens possam parecer, e isso advém em parte do fator entretenimento de filmes desse tipo, já que é preciso delinear minimamente uma dinâmica clara entre os protagonistas, senão o que vem depois é prejudicado, uma vez que o sentimento de empatia no gênero horror, e mais ainda em um subgênero como esse, é fundamental. E ainda que a gritaria e o problemático som (problemas também presentes no primeiro filme) atrapalhem, o rumo da trama é tomado de maneira orgânica, com destaque, por exemplo, para quando a jovem Cammila (Cammila Sanches) apresenta uma atuação realista quando embriagada, criando ali sim uma situação verossímil e interessante. O som, portanto, ainda é o principal problema, mas o diretor-roteirista Carlos Junior aprimora sua narrativa, desta vez se assemelhando mais a um slasher do que a um torture porn, criando uma trama ágil, ainda que já conhecida, a partir da cena em que alguns amigos entram no carro para ir embora, e confesso que me peguei torcendo para que os protagonistas conseguissem fugir no momento em que uma misteriosa figura aparece no meio da estrada, dizendo sozinho “Acelera, meu, acelera!”, sendo gerado nessa cena um sentimento de urgência bastante eficiente.
Matadouro 2 (2013)
A visualização do que está ocorrendo melhora muito neste prequel, já que em comparação com o primeiro filme, nas cenas de tortura tudo fica muito mais visível para o espectador, o que é claramente um avanço, já que não se via quase nada no primeiro filme devido à escuridão em algumas cenas. E por falar nas cenas da matança, elas são bem montadas, deixando-nos ver algumas coisas e escondendo outras, seguindo a linha do primeiro filme, e como comentário extra devo dizer que a agoniante cena onde um gancho é levado a um local pouco “ortodoxo” me lembrou imediatamente de uma cena entre Tony Todd e Virginia Madsen em Candyman, mas não sei se foi coincidência ou uma referência explícita. Em relação as atuações, o destaque no elenco mais uma vez fica para Bruno Diego, que novamente rouba a cena e encarna de corpo e alma seu vilão.
Matadouro 2 (2013)
Finalmente, ainda que apresentando alguns furos, além dos defeitos já mencionados, Matadouro: Prelúdio se torna interessante pelo esquema com o qual foi feito, demonstrando, assim como escrevi em relação ao primeiro filme no meu blog, um envolvimento grande de todos os envolvidos, e, por mais saturado que esteja o já frágil por natureza gênero do filmagens encontradas, o novo filme de Carlos Junior se torna não somente um avanço do próprio diretor, mas também serve como inspiração para um sem-número de cineastas ou aspirantes a cineastas que veem em lançamentos como este a possibilidade da criação artística, mesmo com pouca ou nenhuma grana. Cinema de guerrilha é sempre bom de assistir, e por esse motivo, apesar (ou justamente em função) dos defeitos, Matadouro parte 2: Prelúdio está recomendado.

NOTA: Crítica também publicada no portal Boca do Inferno


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Meu cinema em 2013

Com o final de 2013, o balanço cinematográfico em minha vida é mais do que satisfatório. Minha maior realização pessoal é estar classificado para as finais do Boca do Inferno, para a vaga de crítico, fato que por si só é uma grande honra, já que o Boca foi responsável por uns 80% de minha bagagem cinematográfica horrorífica. Além desse fato, o número de filmes, entre longas e curtas, assistidos nesse ano, 184, ainda que tenha perdido para o ano passado, é uma boa média (~0,5 por dia). Dito isso, no cinema de horror tudo ficou naquele mais ou menos, com destaques para o remake de Evil Dead, que ganhou o público e parte da crítica e para o malaio James Wan, que lançou de uma só vez dois megassucessos, Invocação do Mal e Sobrenatural: Capítulo 2, que faturaram juntos mais de 500 milhões de dólares em todo o mundo.
Quanto aos rankings, eles representam apenas títulos que vi pela primeira vez, independente do ano do filme, diferente da lista geral, onde constam TODOS os filmes que vi, mesmo os não-inéditos. Por isso alguns filmes que estão cotados com cinco estrelas (*****) no meio da lista não aparecem na lista dos melhores, pelo simples motivo de já os ter visto mais de uma vez. O mesmo vale para os piores que vi esse ano.
O filme que vi mais vezes esse ano é também o número 1 do ranking dos melhores: Taxi Driver, clássico de Martin Scorsese, com seis vezes, seguido de perto por Donnie Darko, com cinco vezes. Vamos então às listas:

Robert De Niro como Travis Bickle em "Taxi Driver"

Os melhores:

1) "Taxi Driver"
2) "Toy Story 3"
3) "Violência Gratuita"
4) "O Cheiro do Ralo"
5) "A Entidade"
6) "American Pie"
7) "A Origem"
8) "Todo Mundo Quase Morto"
9) "The Woman - Nem todo monstro vive na selva"
10) "Invocação do Mal"

Vera Farmiga como Lorraine Warren em "Invocação do Mal"


Os piores:

Personagens imbecis em uma trama imbecil em "Projeto X"
1) "Pumpkinhead - De Volta às Cinzas"
2) "A Aparição"
3) "Desafiando Gigantes"
4) "Evocação  - A Porta para o Demônio"
5) "O Massacre da Serra Elétrica 3D - A Lenda Continua"
6) "A Noite dos Mortos-vivos - Reanimação 3D"
7) "O Último Exorcismo - Parte 2"
8) "Scar - A Marca do Mal"
9) "Amor por Acaso"
10) "Projeto X - Uma Festa fora de Controle"



Os melhores curtas (você pode assistir aos meus cinco favoritos nos vídeos abaixo)

Os traços simples combinam o retrô com o moderno e nos apresentam a charmosa técnica em P&B e a encantadora história de "Paperman"

1) "Paperman"
2) "Maggie Simpson em The Longest Daycare"
3) "Harvie Krumpet"
4) "Blue Like You"
5) "Logorama"

Os melhores do gênero horror e suspense de horror:

1) "A Entidade"
2) "Todo Mundo Quase Morto"
3) "The Woman - Nem todo monstro vive na selva"
4) "Sobrenatural"
5) "Invocação do Mal"


E finalmente a lista completa em ordem alfabética com avaliação em estrelas; os títulos que contêm links levam à críticas daqui, do Boca do Inferno, do Kritz, ou a pequenos comentários feitos no Filmow.

ABC do Amor‭ ****A comédia romântica mirim que serve bem aos adultos, "ABC do Amor" 
Acampamento do Papai‭ **
‭Adam and Dog (curta) ****
Adoradores do Diabo‭ **
Afinado no amor‭ ***
‭Ajudante de Satã, O ***
‭Albergue, O - Parte III **
‭Albergue, O ***

Alien - O Oitavo Passageiro *****
‭Aliens - O Resgate *****
‭American Pie (1999) ****
Amor por Acaso‭ *
Amor só de Mãe‭ (‬curta‭) ***
‭Apanhador de Sonhos, O ***
Aparecida‭ – ‬O Milagre‭ **
‭Aparição, A *

Arquivo X - O Filme ***
‭Atividade Paranormal 4 **
‭Autópsia ***
‭Aventura Perdida de Scrat, A (curta) ****
Batalha das Bolas de Neve‭ (‬curta‭) ***
Bezerra de Menezes‭ – ‬Diário de um espírito‭ **

O emocionante encerramento de uma aventura em "Toy Story 3"
Billy’s Balloon‭ (‬curta‭) ***
‭Blue Like You (curta) ****
Bolt‭ ‬-‭ ‬Supercão‭ ***
Boy and His Atom,‭ ‬A‭ (‬curta‭) ****
Bruxa do Bem,‭ ‬A‭ **
‭Cabana do Inferno ****
Caldeirão Infernal, O‭ (‬curta‭) ***
‭Cannibal Holocaust **
Castigo Mortal‭ **
Cat with Hands, the‭ (‬curta‭) ****
‭Cheiro do Ralo, O ****

Selton Mello em "O Cheiro do Ralo"
‭Chernobyl - Sinta a Radiação **
‭Contos do Dia das Bruxas ****
‭Coriolano **
‭Corredor, O ***
‭Crônicas de Nárnia, As - Príncipe Caspian ***
‭Danish Poet, the (curta) ****
Danse Serpentine‭ (‬curta‭) ***
Desafiando Gigantes‭ *
‭Desespero ***
‭Dia dos Mortos (2008) **
Diário de um Banana‭ ***

Jake Gyllenhaal contempla o céu que está prestes a se abrir no cult "Donnie Darko"
Do Além‭ ***
Doce Avanço da Faca,‭ ‬O‭ (‬curta‭) ***
‭Donnie Darko *****
‭Driller Killer (curta) ***
Drink no Inferno,‭ ‬Um‭ ***
‭Drink no Inferno, Um 2 - Texas Sangrento **
‭Drink no Inferno, Um 3 - A Filha do Carrasco ***
‭E a Vida Continua... **
‭Encarnação do Demônio ***
Encontro Explosivo‭ ***
‭Entidade, A ****
‭Era dos Mortos (curta) ***
‭Escolhidos, Os **
‭Espantalho, O ***
Espelho‭ (‬curta‭) ***
Esquiando para a Morte‭ **
Estrada para o Inferno‭ **
Everybody Wants to Kill Bruce‭ (‬curta‭) ****
‭Evocação - A Porta para o Demônio *
Ex-namorado da minha mulher,‭ ‬O‭ ***
‭Exorcista, O *****
‭Experiência, A (1995) ***
Extermínio‭ ****
Fada do Dente,‭ ‬O‭ ***
‭Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, the (curta) ****
Faz de Conta que Acontece,‭ ‬Um‭ ***
Final,‭ ‬A‭ ***
‭Fresh Guacamole (curta) ****
Fronteira,‭ (‬A‭) ***
‭Gattaca - Experiência Genética ***
Gente Grande 2 **
Comédia de humor negro super-divertida em "O Ajudante de Satã"
Ghost - Do Outro lado da vida ****
‭Grito, O **

Guerra Mundial Z ****
‭Harvie Krumpet (curta) *****
Head Over Heels‭ (‬curta‭) ****
‭Hellraiser 2 - Renascido das Trevas ***
Homem-Aranha‭ ‬3‭ ***
‭Hora mais Escura, A ***
‭Hospedeira, A ***
‭Hotel da Morte **
‭Invocação do Mal ****
‭Jackie Brown ***
Jogo de Amor em Las Vegas‭ **
Jogo de Cartas‭ (‬curta‭) **
Jogos,‭ ‬Trapaças e Dois Canos Fumegantes‭ ***
Jupiter’s Thunderballs‭ (‬curta‭) ****

Kung Fu Panda 2 ****
La Voltige‭ (‬curta‭) ***
Lady e o Lobo,‭ ‬A‭ ***
‭Les Aventures de Robinson Crusoé (curta) ***
Letra e Música‭ ***
Lilo‭ & ‬Stitch‭ ****
Lista de Clientes,‭ ‬A‭ **
Lobisomem‭ ‬-‭ ‬A Besta entre nós‭ **
‭Logorama (curta) ****
‭Madrugada dos Mortos ****
‭Maggie Simpson em The Longest Daycare (curta) *****
‭Maldição de Chucky, A ***
Mamá‭ (‬curta‭) ****
‭Mama ***
‭Marcas da Violência ****

Belas atuações marcam o ótimo drama com Viggo Mortensen, "Marcas da Violência"
Marley e Eu‭ ****
Marmaduke‭ **
Massacre da Serra Elétrica‭ ‬2,‭ ‬O‭ **
‭Massacre da Serra Elétrica 3, O **
Massacre da Serra Elétrica,‭ ‬O‭ (‬1974‭) ****
‭Massacre da Serra Elétrica, O, 3D - A Lenda Continua *
‭Matadouro - Parte 2: Prelúdio ***
‭Matadouro **
‭May - Obsessão Assassina *****
‭Mistério de Candyman, O ****
‭Moon and the son, the - An Imagined Conversation (curta) ***
‭Morte Cega (curta) ****
Morte do Demônio,‭ ‬A‭ (‬1981‭) ****
‭Morte do Demônio, A (2013) ***
Muita Calma Nessa Hora‭ **
Mulher Invisível,‭ ‬A‭ ***
Mundo Imaginário do Doutor Parnassus,‭ ‬O‭ ***
Na Teia do Mal‭ *
Nevoeiro,‭ ‬O‭ ****
‭Noite dos mortos-vivos, A - Reanimação 3D *
Nossa Querida Babá‭ ***
Nunca é Tarde Para Amar‭ ***
Olhos Famintos‭ ***
Origem, A‭ ****
‭Pânico *****
‭Pânico na Escola ***

Shanley Caswell e Josh Hutcherson na comédia de horror não-tão-engraçada "Pânico na Escola"
"Violência Gratuita" é um intenso exercício narrativo de Haneke‭Pânico na Floresta 5 *
‭Pantera Cor-de-Rosa, A **
‭Paperman (curta) *****
Parto de Viagem, Um‭ ***
Penetras, Os *
‭Peter & The Wolf (curta) ***
Planeta Terror‭ ****
Plano B‭ (‬2008‭) **
Poder Paranormal‭ ***
‭Premonição ****
Princesa e o Sapo, A‭ ***
‭Projeto X - Uma festa fora de controle *
Pulp Fiction‭ *****
Pumpkinhead‭ ‬-‭ ‬De volta às cinzas‭ *
‭Quarentena 2 ***
Renascido do Inferno‭ (‬Fragment) **
Renascido do Inferno‭ (‬Living Death) **
Rituais do Exorcismo‭ ‬-‭ ‬Mitos,‭ ‬Mistérios e Esperança‭ **
‭Ryan (curta) ****
‭Saco de Ossos ****
Scar‭ – ‬A Marca do Mal‭ *
‭Segredo da Cabana, O ****
Sequestro do Metrô‭ ‬123, O‭ ***
‭Sexta-Feira 13 - Parte 3 em 3D **
Sim Senhor‭ ****

Uma Thurman e John Travolta no filme obrigatório para qualquer cinéfilo, "Pulp Fiction"
Soberano‭ ‬2‭ ***
‭Sobrenatural ****
‭Sobrenatural: Capítulo 2 ***
‭Spirit - O Corcel Indomável ***
‭Tá Todo Mundo Louco‭ ***
Taxi‭ **
Taxi Driver‭ *****
Thought of You‭ (‬Curta‭) ****
‭Todo Mundo Quase Morto ****
‭Toy Story 3 *****
‭Transformers - A Vingança dos Derrotados **
‭Tratamento de Choque ***

Surpreendente thriller na produção independente de Stuart Gordon, "Tratamento de Choque"
‭Tribo II, A **
‭Trick’r Treat - Making Friends (curta) ***
Tropa de Elite‭ ‬2‭ – ‬O Inimigo agora é outro‭ ****
‭Tsumiki No Ie (curta) ***
‭Último Exorcismo, O - Parte 2 *
‭V/H/S **
Viagem Maldita‭ ****
‭Vida sem Destino (Gummo) ***
Violência Gratuita‭ (‬1997‭) **** 
‭Você não conhece Jack ****
‭Volta dos Mortos-vivos, A ****
Vovó...Zona‭ ‬2‭ ***
‭Woman, The – Nem todo monstro vive na selva ****
X-Men Origens:‭ ‬Wolverine‭ ***
Zohan‭ – ‬O Agente Bom de Corte‭ **


Finalmente espero que todos tenham um ano novo cheio de paz e saúde, e com muitos e muitos filmes, a gente se vê em 2014 ;)

domingo, 22 de dezembro de 2013

The Woman - Nem todo monstro vive na selva

The Woman - Nem todo monstro vive na selva (The Woman, EUA, 2011)
Diretor: Lucky McKee
Elenco: Pollyanna McIntosh (A Mulher), Brandon Gerald Fuller (Bebê), Lauren Ashley Carter (Peggy Cleek), Chris Krzykowski (Roger), Sean Bridgers (Chris Cleek), Angela Bettis (Belle Cleek), Marcia Bennett (Deana), Shyla Molhunsen (Darlin' Cleek), Zach Rand (Brian Cleek), Carlee Baker (Genevieve Raton)
SINOPSE: Quando um famoso advogado do interior decide capturar uma mulher selvagem que encontrou na mata, o último membro de um violento clã que dominou a costa Norte dos EUA por décadas, e tenta civilizá-la, ele coloca a vida de toda sua família em risco.











O mais recente trabalho do diretor Lucky McKee (desconsiderando o recém-exibido em Toronto, All Cheerleaders Die), é de uma singularidade impressionante. Trabalha com tantos temas e possui uma condução tão estranha que se torna difícil tomar uma posição ao final da trama. Misoginia, aparências familiares e feminismo são alguns dos temas que o longa se propõe a analisar. Vindo de alguns trabalhos menores, McKee volta a investir num pesado drama (grafica e psicologicamente) que apresenta a princípio um plot bastante óbvio, ainda que nada convencional.
‭As evidências de um conto feminista estão por todo o filme. Repare, por exemplo, como Mckee nos apresenta primeiramente à mulher, e não à família afetada por ela, e como a primeira integrante da família a ser apresentada, a filha mais velha Peggy, está em uma posição superior no plano quando é incomodada por um pretendente adolescente, que se mostra um babaca, é claro. Aliás, logo em seguida somos apresentados ao principal antagonista da trama, o advogado inescrupuloso, mas bem-sucedido Chris Cleek; ele, apesar de também estar em uma posição superior dentro do quadro, é apresentado logo de cara como aquilo que é: Um sujeito machista, que não dá a mínima para a esposa submissa ou para as preocupações “fúteis” da filha. Aliás, é também interessante mencionar que todos os personagens masculinos do filme, mesmo os mais jovens, são mostrados como seres desprezíveis, desprovidos de qualquer moral ou empatia, e como as mulheres são postas em uma posição de inferioridade e submissão, e esses extremos de caracterização que o filme aborda são necessários devido ao caráter alegórico que o filme assume. As mulheres que fogem da generalização acima, incluindo a selvagem e a professora de Peggy, são logo alvos da brutalidade do universo androcêntrico de Mckee.


‭

Exemplificando o caráter machão de Chris, temos a óbvia, porém interessante referência às armas e à caça, símbolos quase fálicos em se tratando de cultura americana, e é em uma dessas caçadas que Chris encontra A Mulher do título, tomada como objeto de caça (literalmente), a selvagem é vista sob a ótica subjetiva de Chris, ao mesmo tempo como um objeto sexual e uma ameaça à ordem natural das coisas do universo diegético, que pode ser exagerado, mas nunca fantasioso (tendo em vista o conceito patriarcal e machista que ainda reina em nossa sociedade), e o objetivo de Chris ao caçá-la é civilizá-la (leia-se: domesticá-la), e colocá-la sob o mesmo jugo de todas as outras mulheres do mundo (ou pelo menos, de sua família).

‭A trilha sonora, composta integralmente pelo músico Sean Spillane, é correta e contém pelo menos uma composição memorável, Patient Satellite, incluída em um momento tenso e crucial da trama e que funciona bem também fora do filme. Entretanto não posso deixar de dizer que ficarei eternamente curioso em saber como seriam as composições da talentosíssima parceira de McKee, Jaye Barnes-Luckett, habitual companheira em seus filmes. Na composição dos personagens, Sean Bridgers fornece uma atuação correta, dosando a frieza e a violência de seu personagem com naturalidade, enquanto Pollyanna McIntosh traz toda a selvageria para seu personagem que forma surpreendentemente um caráter tridimensional, assim como todos os membros principais da trama, revelando também um cuidado na direção de atores. Somente Angela Bettis, cujo trabalho admiro muito, tem pouca chance para brilhar, devido principalmente ao caráter reprimido de sua personagem, e ela acaba incluindo infelizmente alguns maneirismos pontuais que desapontam. 
‭Desbancando para o sangrento e o imprevisível no terceiro ato, McKee pode até desagradar ao oferecer várias sequências absurdas em texto e contexto, mas é inegável que consegue atingir o espectador em todos os níveis, e um horror bem filmado e com forte comentário social como este se torna obrigatório para o gênero.



Curiosidades:
  • O livro "The Woman" foi lançado coincidentemente com o filme. De autoria de Jack Ketchum e Lucky McKee;
  • Chris Cleek repetidamente utiliza a palavra "anoftalmia" em referência a uma de suas filhas. Esse termo descreve a ausência congênita de um ou dos dois olhos humanos. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sobrenatural: Capítulo 2

Sobrenatural: Capítulo 2 (Insidious: Chapter 2, EUA, 2013)
Diretor: James Wan
Elenco: Patrick Wilson (Josh Lambert), Rose Byrne (Renai Lambert), Ty Simpkins (Dalton Lambert), Lin Shaye (Elise Rainier), Barbara Hershey (Lorraine Lambert), Steve Coulter (Carl), Leigh Whannell (Specs), Angus Sampson (Tucker), Andrew Astor (Foster Lambert), Hank Harris (Jovem Carl), Jocelin Donahue (Jovem Lorraine), Lindsay Seim (Jovem Elise Rainier), Danielle Bisutti (Mãe de Parker Crane), Tyler Griffin (Jovem Parker), Garrett Ryan (Jovem Josh).
SINOPSE: A família Lambert, amaldiçoada desde o filme anterior, procura descobrir o misterioso segredo de infância que os deixou perigosamente conectados ao mundo espiritual. 


"O que você mais ama será levado..."





James Wan parece estar sem freios no ano de 2013. Após comandar o sucesso de público e
crítica Invocação do Mal, apenas alguns meses depois chega a sequência de outro filme de sucesso de 2011, Sobrenatural. Juntos Invocação e Sobrenatural: Capítulo 2 (que estreou em Setembro nos EUA), já somam quase 400 milhões de dólares de bilheteria mundial, o que prova o apelo de público e o talento do diretor malaio, que também comandou, vale lembrar, o clássico moderno Jogos Mortais há 9 anos. Funcionando com uma continuação direta do primeiro filme, se torna bastante importante, e como escreverei depois, fundamental assistir ao filme anterior para aproveitar plenamente o filme.
Wan começa com um breve prólogo, que nos mostra a infância do patriarca da família Lambert, Josh (Patrick Wilson, que também está em Invocação do Mal), que possuía quando pequeno a habilidade da "projeção astral", que permitia a ele viajar com sua alma para outros lugares enquanto seu corpo dormia, habilidade essa passada para seu filho Dalton, como visto no primeiro filme. Após os enervantes créditos iniciais, voltamos ao presente da família Lambert, que se encontra abalada emocionalmente após os eventos de Sobrenatural. Com o mistério envolvendo a morte de Elise (Lin Shaye) e o estranho ceticismo de Josh em relação às novas queixas de fenômenos paranormais por parte de sua esposa Renai, Wan e o roteirista Whannell conseguem novamente estabelecer um clima sombrio e tenso, graças à trilha composta novamente por Joseph Bishara e à fotografia de John  Leonetti que aposta mais uma vez em uma câmera vacilante para situar o estado emocional dos personagens e cria planos muito fechados para criar uma aproximação maior com os protagonistas. Mais uma vez em perfeita sintonia, os protagonistas Patrick Wilson e Rose Byrne conseguem encarnar seus personagens com muita propriedade, criando mais uma vez o sentimento de empatia do público para com eles. 
Desta vez não há espaço para cores alegres ou construção da dinâmica familiar, já que tudo que havia de alegre se esvaiu logo no primeiro filme, e agora os personagens se encontram em uma permanente atmosfera de mistério e medo, mas esse é um dos poucos pontos positivos da trama. Nela, há espaço para novos personagens e uma investigação paralela sobre os porquês da maldição, que se revela extremamente monótona e formulaica, incluindo ainda o desnecessário alívio cômico representado novamente pelas figuras dos personagens Specs (o roteirista Whannell) e Tucker (Angus Sampson). Falando nisso, o único mérito no quesito "assustador" é a criação da vilã interpretada por Danielle Bisutti, que se revela extremamente eficaz sempre que aparece em cena.
E como escrevi no primeiro parágrafo, se torna não apenas necessário, mas fundamental ter assistido ao primeiro Sobrenatural, já que o clima desconexo toma conta do filme a partir do segundo ato, afastando o espectador do mistério da trama, e criando um quebra-cabeças confuso e nada atraente. Finalmente, ainda que apresente uma intensidade boa no terceiro ato, quando ocorre finalmente a "solução" do filme, é decepcionante ver os talentosos cineastas por trás da película apostarem em um final tão óbvio e otimista, justamente o contrário do que ocorria ao final da primeira história, onde saíamos do filme com uma sensação bastante desagradável, gerando mais dúvidas e aborrecimento do que os deliciosos arrepios sentidos anteriormente e criando uma cena que serve apenas para justificar uma já anunciada sequência. 

NOTA: Crítica publicada também no portal Boca do Inferno.

 

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