quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Triângulo do Medo (2009)

Triângulo do Medo  (Triangle, Inglaterra/Austrália, 2009)






Direção: Christopher Smith
Roteiro: Christopher Smith
Elenco: Melissa George, Liam Hemsworth, Joshua McIvor, Jack Taylor, Michael Dorman, Henry Nixon, Rachael Carpani, Emma Lung, Bryan Probets.
SINOPSE: Quando Jess (Melissa George) parte para o alto mar com um grupo de amigos a bordo de um veleiro, ela tem o pressentimento de que algo está errado. Seus temores se confirmam quando uma tempestade atinge a embarcação deixando-os à deriva. Em seguida, um misterioso navio aparentemente abandonado surge e embarcar parece ser uma boa ideia. Logo, todos perceberão que não estão sozinhos e que alguma coisa está caçando os novos tripulantes.





Num filme de horror comum, os roteiristas parecem se ver obrigados a desenvolver minimamente os personagens, mas o que acaba importando, em geral, são as situações pré-concebidas de sustos, mortes violentas ou reviravoltas. Um dos diferenciais de Triângulo do Medo é que o roteiro do longa dedica-se a criar uma atmosfera própria e, sobretudo, um forte perfil naqueles personagens que acabam se tornando para o espectador pessoas com as quais passamos a nos importar, o que deixa tudo que o roteiro oferece muito mais eficiente.


Dirigido pelo britânico Christopher Smith, o enredo gira em torno de Jess (George), uma mulher fragilizada e mãe solteira, que embarca num pequeno barco junto com meia dúzia de pessoas, comandado por Victor (Hemsworth), um sujeito bacana que parece simpatizar com a moça e mostra um interesse genuíno nela. O objetivo do mini-cruzeiro é sair da rotina por algumas horas, mas uma violenta tempestade arruína a viagem, virando o barco e colocando os sobrevivente à deriva. Como que por milagre, um gigantesco navio aparece em pleno mar aberto, e o grupo decide embarcar naquele que julgam ser um providencial salvamento. No entanto, após adentrarem na embarcação, eles percebem que não há ninguém a bordo... ou talvez haja.



Fugindo da obviedade que uma premissa como a do parágrafo anterior certamente geraria, Smith confere complexidade e peso à narrativa, através de inúmeros plot twists que envolvem viagens no tempo e um ambicioso desfecho. Aliás, curiosamente o longa aposta numa atmosfera quase onírica durante o longa, numa proverbial fuga da realidade representada pelo iate em mar aberto, como posteriormente nos escuros, estreitos e claustrofóbicos corredores no interior do navio, como nos piores pesadelos, ainda que algumas cenas filmadas utilizando o chromakey soem excessivamente falsas.


Beneficiado ainda por um forte elenco principal, Triângulo mostra uma interpretação de Melissa George (30 Dias de Noite), que entrega uma performance com forte peso dramático de uma personagem sofrida e problemática. Já Liam Hemsworth igualmente convence num papel gentil e despojado, cuja leveza se contrapõe perfeitamente à caracterização de Jess.


Combinando de maneira surpreendente um thriller de horror psicológico com um desafio intelectual, o longa de Smith é no mínimo um admirável exercício artístico ao conter tantas reviravoltas e detalhes, conseguindo se manter, ainda assim, coeso e íntegro em sua lógica narrativa. Ganha o cinema fantástico com obras como essa gema pouco conhecida.


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Planeta Terror (2007)

Planeta Terror (Planet Terror, EUA, 2007)
Direção: Robert Rodriguez
Roteiro: Robert Rodriguez
Elenco: Rose McGowan (Cherry Darling), Marley Shelton (Dr. Dakota Block), Freddy Rodriguez (El Wray), Bruce Willis (Tenente Muldoon), Michael Biehn (Xerife Hague), Josh Brolin (Dr. Block), Rebel Rodriguez (Tony Block), Jeff Fahey (J.T.), Naveen Andrews (Abby), Julio Oscar Mechoso (Romy), Fergie (Tammy), Nicky Katt (Joe), Hung Nguyen (Dr. Crane), Cecilia Conti (Paramedica Cecil), Tommy Nix (Paramedico Nixon), Tom Savini (Policial Tolo), Carlos Gallardo (Policial Carlos), Skip Reissig (Skip), Electra Avellan (Babá 1), Elise Avellan (Babá 2), Quentin Tarantino (Estuprador 1), Gregory Kelly (Estuprador 2), Troy Robinson (Soldado), Felix Sabates (Soldado), Danny Trejo (Machete/ trailer Machete), Cheech Marin (Padre/Trailer Machete).
SINOPSE: O casal de médicos William (Josh Brolin) e Dakota Block (Marley Shelton) é surpreendido no hospital por uma multidão de homens e mulheres cheios de feridas e mutilações, que vagam com um suspeito olhar perdido. Entre eles está Cherry (Rose McGowan), uma dançarina de boate cuja perna foi arrancada num ataque noturno. Com uma metralhadora no lugar da perna decepada, ela vai liderar, acompanhada por El Wray (Freddy Rodríguez), um exército de inválidos assassinos.


Embora possamos afirmar que o projeto Grindhouse, dos cineastas Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, não tenha atingido seu objetivo original - incluindo aí um baixo desempenho nas bilheterias - é igualmente inegável que a parceria, ao mesmo tempo ambiciosa e simples em seu conceito, foi capaz de ser vitrine de boas ideias, demonstradas através dos trailers falsos que permeavam os dois longas na proposta original (alguns dos quais viraram longas), e também a produção de dois filmes no mínimo interessantes. Prestando homenagem ao cinema drive-in e ao gênero exploitation em específico, Planeta Terror é também uma revitalização do subgênero zumbis, uma vez que seu roteiro original foi escrito anos antes da explosão que os mortos-vivos tiveram nos anos 2000. Filmado em película e com um trabalhoso processo de deixá-lo com aspecto de filme antigo e danificado, o longa-metragem de Rodriguez também leva a sério a forma independente de se fazer cinema, com Rodriguez assinando, além da direção, o roteiro, montagem, música, supervisão de efeitos especiais e direção de fotografia, além da operação de câmera (ufa!). O controle sobre todo o processo ajudou a transformar Planeta Terror num produto autoral e que funciona bem, mesmo se desvencilharmos a obra de Grindhouse.

Apresentando-nos primeiramente aos personagens antes de qualquer desenvolvimento, a trama, que se passa no Texas, é centrada na dançarina de boate Cherry (McGowan), que, após pedir demissão e sofrer um acidente na estrada, vai afogar suas mágoas na churrascaria de J.T. (Fahey), onde encontra por acaso o misterioso Wray (Rodriguez) com quem teve um caso mal resolvido no passado. Nesse meio tempo Abby (Andrews), um engenheiro bioquímico, parece ter negócios muito escusos com um batalhão de soldados liderado pelo Tenente Muldoon (Willis). Ainda há espaço no roteiro para uma nada saudável relação de casal entre a anestesista Dakota (Shelton) e o Dr. Block (Brolin), e para policiais nada eficientes (Biehn, Savini e Gallardo). Todos se veem em apuros quando uma invasão de zumbis se propaga na cidade, devido ao vazamento de um estranho gás no início do filme. Diante disso, os personagens acabam se unindo para achar a cura e destruir os zumbis que aparecerem no caminho.
Embora a trama acima não pareça apresentar nada de novo, e se o excesso de personagens não permite que nenhum deles seja desenvolvido com mais cuidado, o cineasta Rodriguez recheia o roteiro de situações hilárias e de diálogos impagáveis, além de conferir uma ótima fluidez através da montagem que também presta homenagem às produções antigas. E para dar vida a personagens que soam propositadamente como caricaturas, o elenco não poderia ser melhor, destacando-se a boa química entre McGowan e Rodriguez, bem como a divertida atuação de Fahey que acaba criando o papel mais querido do longa. Ainda há elementos tão exagerados, como uma metralhadora no lugar de uma perna amputada, que não funcionariam caso o longa se levasse a sério.

Prestando atenção igualmente ao gore, Rodriguez também não decepciona quando o assunto são nojeiras, destacando-se nesse aspecto a carnificina que ocorre no hospital local. E se o terceiro ato do longa acaba soando arrastado, em sua maior parte Planeta Terror é um daqueles filmes simples e propositadamente ruins cada vez mais raros, mas que justamente em função de sua auto-indulgência é capaz de proporcionar um excelente entretenimento para fãs de horror.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Inseticida (2005)

Inseticida (Insecticidal, Canadá, 2005)
Direção: Jeffery Scott Lando
Roteiro: Jeff O'Brien
Produção: Morris Ruskin, Jeffery Scott Lando
Elenco: Meghan Heffern, Rhonda Dent, Travis Waters, Shawn Bachynski, Samantha McLeod, Anna Amoroso, Natalie Boll, Ryan Zwick, Anna Farrant, Nelson Leis, Chris Guy, Alan Steele, Vicky Huang, Simon Sippola, Sean Whale.
SINOPSE: Inseticida é um filme com muita gosma e litros de sangue falso. Os atores são meio amadores, a maquiagem dá na cara e os insetos - que ficaram gigantes depois de uma experiência - foram desenvolvidos por computadores. São os ingredientes de um filme trash.© Europa Filmes








Lançado no Brasil em DVD (2007) pela Europa Filmes, com direito à capinha alardeando se tratar de um “Trash Total”, Inseticida é o segundo longa do diretor Jeffery Lando, cujos trabalhos vêm sido lançados com frequência no Brasil (entre eles, Decoys, Goblin – O Sacrifício e Ilha da Morte). E, apesar do resultado irregular, pode-se dizer que cumpre com sua função de divertimento descompromissado.


A trama batidíssima se passa numa irmandade de garotas que em sua maior parte têm uma ou duas falas antes de morrer. Em destaque acompanhamos Cami (Heffern), uma nerd que se vê excluída das festinhas que as outras jovens participam, e que parece estar mais interessada na Ciência por trás dos insetos, seus objetos de estudo. Quando Josi (Dent), a popular do grupo (e por consequência, a mais cruel delas) acaba jogando inseticida em seus bichos, Cami pensa que todos os seus insetos morreram, mas aparentemente o spray causou uma mutação que os fez gigantes monstros assassinos.



Convencional em sua narrativa, prestando homenagem às antigas convenções de gênero entre as quais aquela que afirma que virgens e pudicos sobreviverão, Inseticida usa seu mínimo orçamento para criar de maneira esperta insetos gigantes usando um CGI absurdamente falso, que acaba funcionando no filme justamente por este não se levar a sério. Uma vez que a sangreira não funciona, precisaríamos um mínimo de empatia com os personagens, mas isso também não ocorre, já que como mencionado, a maioria do elenco sequer tem seu nome mencionado. Com  tudo para dar errado, Inseticida acaba funcionando em função de duas razões. A primeira é que Lando (quase) nunca deixa o filme cair no marasmo, usando, ainda que de maneira questionável, cenas de sexo e nudez gratuita, que apesar de várias, têm um certo caráter inocente de produções mais antigas. A outra razão é o carisma do elenco, que parece estar se divertindo com toda a gosma e situações risíveis pelas quais passam durante o filme. A duração também é enxuta, e nesse sentido, eu diria que o longa vale a recomendação, justamente por sua falta de ambição e do seu caráter assumidamente trash, que se não é garantia de qualidade, pelo menos não deixa de ser altamente satisfatório em sua missão de entreter por 81 minutos o espectador calejado de tanto filme de horror ruim.


terça-feira, 31 de maio de 2016

15 Gemas do gênero horror que você provavelmente não viu ainda

*Artigo originalmente elaborado em comemoração aos 15 Anos do site Boca do Inferno

Em geral quando o público aficionado por horror quer conferir um longa do gênero, a ida até os vários multiplexes existentes no país não costuma ajudar muito. Relativamente pouco frequentes nas salas nacionais, filmes de terror quando chegam são, em geral, aqueles bancados por grandes estúdios que não mantém regularidade na qualidade (não é raro que os cinemas brazucas se entulhem de remakes e fórmulas prontas). Além disso, não é raro o gigante atraso com que algumas produções chegam ao Brasil. Alguns exemplos incluem o remake de O Massacre da Serra Elétrica (2003) que só aportou por aqui em 2005 numa estreia discretíssima. Mais recentemente tivemos mais duas produções de qualidade atrasadas e lançadas sem alarde: Corrente do Mal e Boa Noite, Mamãe. Para além do atraso e da escolha duvidosa dos distribuidores que decidem quais filmes estrearão nos cinemas daqui, filmes do gênero costumam ficar pouquíssimo tempo em cartaz. Tudo isso gera, claro, inúmeras obras que passam despercebidas pelos fãs, e não fosse a Internet, tais filmes ficariam certamente no limbo, já que muitas vezes sequer em home video algumas produções – geralmente independentes e de baixo orçamento – acabam vendo a luz do dia.
Como forma de homenagem e comemoração aos quinze anos do maior site de Horror do Brasil, listamos agora quinze produções de fantasia, suspense e horror que foram lançadas no novo milênio e que merecem ser vistas ou revisitadas pelo leitor, apesar (ou justamente) de serem pouco conhecidas.



Lucky McKee é um nome conhecido no circuito independente de horror, tendo inclusive participado como um dos diretores do projeto Mestres do Horror (o segmento Criatura Maligna). Nenhum de seus filmes chegou aos cinemas brasileiros (nem mesmo A Floresta, bancado pela Sony e distribuído em DVD no Brasil). May, sua obra-prima que vem ganhando ao longo dos anos um status cult, acompanha a vida da solitária personagem-título (Angela Bettis), uma moça desajeitada e tímida que se apaixona pelo boa-pinta Adam (ou melhor, por suas mãos). May logo descobre, no entanto, que ninguém é perfeito por completo, somente algumas partes são. Um sensível drama psicológico misturado ao slasher, inspirado em Frankenstein e Taxi Driver, tudo embalado por uma trilha deliciosa de indie rock e por composições melancólicas de Jaye-Barnes-Luckett.

Este drama sobrenatural em forma de mockumentary vem direto da terra dos cangurus. Investindo num ótimo elenco desconhecido, o longa escrito e dirigido pelo australiano Joel Anderson acompanha o luto da família Palmer, que após sua filha Alice (Talia Zucker) morrer afogada numa represa local enquanto nadava, começa a ver sua vida entrando em parafuso. Fotos tiradas após o acidente parecem mostrar a presença de Alice, mas não espere algo do naipe do tailandês Espirítos. A pegada de Lake Mungo é diferente, mais voltada para um constante clima de depressão, pesar e mistério, já que logo descobrimos que nada é o que realmente parece. O curioso é a sensação desagradável que o longa deixa no espectador após seu desfecho, mesmo não sendo um filme de horror no sentido estrito. Ah!, e as referências a Twin Peaks não são por acaso...


Berberian Sound Studio (2013)
Peter Strickland escreveu e dirigiu este verdadeiro tributo ao horror giallo italiano da década de 70, com Toby Jones (O Nevoeiro) no papel central de um técnico de som (foley) britânico que é convidado para ir até a Itália para trabalhar nos efeitos sonoros de um violento filme de horror. Prestando homenagem também ao respeitável e essencial trabalho dos artistas do som no cinema, Berberian é um metafilme inteligente que deliciará os fãs do cinema de gênero italiano.


Vem do Canadá esse filme que traz uma abordagem diferente para o já saturado subgênero dos mortos-vivos. Passando-se quase exclusivamente numa estação de rádio, na qual o apresentador (Stephen McHattie) tenta entender o que se passa no lado de fora conforme depoimentos incoerentes, gritos e confusão tomam conta da transmissão. O longa é um inteligente filme de horror no qual tudo pode acontecer.


Found (2012)
Scott Schirmer é o diretor deste filme de baixíssimo orçamento (8000 dólares para ser mais preciso) sobre um garoto fanático por filmes de terror e que suspeita que seu irmão mais velho pode ser um serial killer de verdade. Gráfico e brutal na representação da violência, Found foi banido na Austrália e acabou gerando o também recente e violento Headless, o filme dentro do filme em found.



Por Trás da Máscara: O Surgimento de Leslie Vernon (2006)
O consenso do site agregador de críticas Rotten Tomatoes é que esse longa americano é um mockumentary inteligente que apresenta uma homenagem sangrenta, divertida e obviamente apaixonada pelo gênero slasher. Na trama somos apresentados a um pacato morador de uma cidadezinha que por trás de sua aparência tem sonhos muito peculiares. Ele pretende seguir os passos de seus ídolos, tais como Freddy Krueger, Jason Voorhees e Michael Myers, tornando-se o próximo grande maníaco fatiador. Fazendo uma verdadeira autopromoção, Leslie Vernon permite que uma equipe de documentaristas tenha acesso exclusivo a sua vida e aos seus planos assassinos.


Divertido, ágil, angustiante, original, referencial, Espinhos baseia seu roteiro numa situação simples. Um casal em viagem romântica é atacado e sequestrado por um perigoso fugitivo, mas a coisa fica feia mesmo quando aparece um parasita sedento por sangue, que incorpora o corpo de suas vítimas. Escondendo-se num posto de gasolina abandonado, o grupo deverá se unir para sobreviver à criatura...e a eles mesmos.


Um eco-horror found footage mockumentary? Dirigido por Barry Levinson (Assédio Sexual, Rain Man)? Isso mesmo. Cymothoa Exigua é um parasita nojento e estranhíssimo, mas que felizmente só afeta peixes, devorando a língua do hospedeiro e se alojando no local, funcionando como uma língua viva e se alimentando do que o peixe come (Argh!). Mas em The Bay o tal bicho sofreu uma mutação devido à atividades industriais e foi o responsável pela morte de mais de 700 pessoas, peixes e passáros na cidade de Claridge, Maryland, em Julho de 2009. Pelo menos é isso que o falso documentário mostra nas filmagens reveladas três anos após o incidente. Imagens grotescas e tensão permeiam o eficiente longa-metragem.


New French Extremity não pode faltar em uma lista de filmes obscuros. Julien Maury e Alexandre Bustillo dirigem esse longa sobre uma mulher grávida, Sarah (Alysson Paradis) recentemente envolvida em um grave acidente de carro que tirou a vida de seu marido. Sozinha em casa na noite da Véspera de Natal, ela recebe batidas na porta de uma estranha que descobriremos ser nada amigável e parece querer apenas uma coisa: o bebê dentro de Sarah. Criticado por alguns por ser gratuito, uma coisa é certa; sangue em profusão e imagens aberrantes são aliadas a um bom clima de tensão nessa obra que não é para fracos de estômago.


Esse filme muy estranho tem como protagonista Pauline (Annalynne McCord, de Dia dos Mortos), uma colegial meio perturbada que pretende ser uma cirurgiã. Os sonhos bizarros e sanguinolentos de Pauline encontram eco na vida real, quando ela decide perder a virginidade com um sujeito escroto que sempre a perseguiu na escola. Eles encontram-se num motel e...Bem, digamos que a coisa não vai como o planejado, com Pauline mudando de atitude e fazendo algo que ninguém esquecerá.


Found Footage encontra a Deep Web neste longa dirigido por Zachary Donohue que mostra a pesquisadora Elizabeth Benton (Melanie Papalia) que investiga um site conhecido como The Den, uma espécie de Omegle, procurando investigar o hábito dos usuários do chat-roulette. Durante um de seus chats aleatórios, Elizabeth presencia o que julga ser um real assassinato ao vivo. Quando ninguém acredita nela, Elizabeth busca por conta própria as origens do vídeo e se embrenha nos redutos mais profundos da Internet, encontrando mais do que procurava.


Em Erin Island, na Irlanda, uma equipe de pesca desaparece, baleias começam a aparecer mortas na costa, um pescador de lagostas encontra uma estranha espécie com tentáculos em sua armadilha. Ciaran O’Shea (Richard Coyle) é um policial cujas atribuições geralmente não passam de lidar com os bêbados locais, geralmente ele mesmo o embriagado. Junto com a chegada de uma nova policial (Ruth Bradley), O’Shea deve lidar com um monstro alienígena e a única proteção para os habitantes locais se encontra no pub. Muito álcool!!! Comédia e horror ao estilo de Todo Mundo quase Morto e Ataque ao Prédio.


Creep (2014)
Este recente found footage minimalista conta o conto de Aaron (Patrick Brice, que também dirige e roteiriza o longa), um sujeito desempregado que vê num anúncio a chance de faturar uma graninha. 1000 dólares por um dia de filmagens. Ele dirige até uma cabana isolada nas montanhas e descobre que seu contratante (Mark Duplass, também assinando o roteiro) não é bem quem diz ser e suas intenções podem não ser tão sinceras. Abrindo mão da sangreira e investindo num tom psicológico convincente, Creep combina tensão e estranheza com economia de recursos.


Colapso no Ártico (2006)
Ron Perlman estrela esse suspense de horror ambientalista que se passa no Alasca e acompanha uma equipe encarregada de explorar petróleo que se vê tormentada por um mal obscuro. Medo, paranoia e insanidade tomam conta dos trabalhadores após um deles ser encontrado morto. Dirigido, coescrito, montado e produzido por Larry Fessenden (Pod, Late Phases), o longa aposta em criar uma atmosfera inquietante em torno do clima gélido e de, vejam só, um poço de petróleo.


The Snowtown Murders (2011)
A Austrália aparece novamente na lista com a história de Jamie (Lucas Pittaway), um adolescente que faz logo amizade com um carismático homem que logo se tornará uma figura paterna para ele. No entanto, não demora para que Jamie alimente suspeitas sobre o caráter de seu amigo, que se trata de John Bunting, o mais famoso serial killer australiano. Um estudo do mal personificado em uma mente doentia encontra expressão na ultraviolência das imagens mostradas na tela.



Nem é preciso dizer que após essa recomendação de quinze filmes, muitos títulos acabaram ficando de fora. Só de cabeça, mais de 50 títulos caberiam facilmente aqui. Alguns deles o infernauta pode conferir neste outro artigo do Boca do Inferno; outros, como Bubba Ho-tep (2002), Offspring (2009), The Woman (2011), Plataforma do Medo (2004), Possuídos (2006), Honeymoon (2014), Headless (2015) e A Fronteira (2007) entram como menções mais do que honrosas.

E você, horrornauta? Quais filmes obscuros do novo século você também incluiria na lista?

sábado, 28 de maio de 2016

All Cheerleaders Die (2013)

All Cheerleaders Die (All Cheerleaders Die, EUA, 2013)
Direção: Lucky McKee, Chris Sivertson
Roteiro: Lucky McKee, Chris Sivertson
Elenco: Sianoa Smit-McPhee (Leena), Caitlin Stasey (Maddy), Sidney Allison (Brooke), Shay Astar (Sra. Wolf), Nadia Boceski (Kayle), Michael Bowen (Larry), Brooke Butler (Tracy), Amanda Grace Cooper (Hanna Popkin), Jesse Hublik (Professor), Felisha Cooper (Alexis), Reanin Johannink (Martha Popkin), Mike McKee (Treinador Wolf), Leigh Parker (Manny), Chris Petrovski (George Shank), Jordan Wilson (Vik), Tom Williamson (Terry), Callan Mielnik (Cheerleader), Dallas (Madeleine).
SINOPSE: Na trama uma garota rebelde se úne a um grupo de líderes de torcida para derrubar o capitão do time de futebol, mas após uma estranha reviravolta nos eventos, as garotas são jogadas em uma batalha sobrenatural em uma noite que jamais esquecerão.








Convenhamos. O gênero feminino no cinema de horror nunca teve uma representação adequada. Salvas raras exceções (Pânico, Alien vêm a mente), a mulher, mesmo nas clássicas final girls dos anos 80, é de maneira frequente, pobremente caracterizada, e as eventuais heroínas do terror são geralmente aquelas que reforçam estereótipos, como as virgens ou as que têm que se masculinizar para atingirem seus objetivos. Entre várias causas para isso, podemos, talvez, apontar a falta de diretoras no cinema em geral, e a comodidade dos realizadores em reforçar convenções já saturadas. Não é o caso, certamente, de Lucky McKee, cineasta independente que já havia trazido contribuições originais para o cinema e para personagens femininos com o cult May – Obsessão Assassina (2002), o filme de bruxas A Floresta (2006) e com o nada sutil de The Woman – Nem Todo Monstro Vive na Selva (2011). Portanto, já esperávamos algo diferenciado quando All Cheerleaders Die, dirigido por McKee e seu amigo Chris Sivertson (Eu sei quem me Matou) teve sua passagem por festivais (inclusive no Brasil) em 2013. Primeira comédia de McKee após quatro longas pesados, o filme na verdade é um remake homônimo de um lançamento de 2001 feito diretamente para vídeo e de forma modestíssima após McKee e Sivertson saírem da faculdade de cinema.



Apostando numa premissa facilmente reconhecível pelo público já acostumado ao universo americano dos colégios, do football e das cheerleaders, o longa segue Maddy Killian (Stasey), uma colegial meio rebelde que durante um trabalho de classe decide filmar a curiosa fauna da escola. Entre nerds, machões e garotas populares, Maddy segue a rotina de Alexis (Cooper), uma líder de torcida popularíssima que tem um trágico fim durante uma de suas performances. Decidida a prestar uma espécie de tributo à falecida e também a executar uma vingança contra o capitão do time de futebol, Terry (Williamson) cujo motivo logo identificamos, Maddy consegue entrar para a equipe de cheerleaders no lugar de Alexis e consegue persuadir as garotas, em especial da agora namorada do jogador, Tracy (Butler), a se virarem contra Terry. Após um tenso embate entre bitches e dogs (conforme o roteiro), as garotas acabam morrendo. Mas não acaba aí. Graças as habilidades de Leena (Smit-McPhee), a então melhor amiga de Maddy, lésbica, gótica e praticante de magia, as moças conseguem voltar à vida, no entanto ligeiramente modificadas.



All Cheerleaders Die é um filme estranho, verdade, e é bem provável que o roteiro que passeia pelo romance, pelo gore e pela comédia, desagrade grande parte dos fãs que gostam de algo mais convencional, no entanto, é inegável que o longa não cai no tédio em nenhum momento. Embalado por uma trilha sonora dançante, embora genérica, o filme ainda se beneficia de um esperto uso de câmera vacilante que faz parecer que há sempre algo acontecendo. Ainda há a montagem bastante fluída que confere um ritmo ágil à saga de Maddy e ao elenco uniformemente engajado em seus papeis.




Contendo ainda uma poderosa e ambiciosa mensagem nas entrelinhas, McKee e Sivertson não deixam de cutucar certas convenções do gênero, como a objetificação feminina e o herói que chega para salvar a mocinha. No entanto, o roteiro escrito à quatro mãos acaba sendo vítima dos mesmo clichês que satiriza, como personagens excessivamente rasos, o desfecho burocrático e ainda um desfecho para uma eventual sequência. O veredicto é que, apesar de imperfeito como as personagens apresentadas na trama, o longa deve divertir o fã casual, mais ainda se o leitor tiver gostado de filmes como Jovens Bruxas, Garota Infernal e Atração Mortal. :)



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