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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Inseticida (2005)

Inseticida (Insecticidal, Canadá, 2005)
Direção: Jeffery Scott Lando
Roteiro: Jeff O'Brien
Produção: Morris Ruskin, Jeffery Scott Lando
Elenco: Meghan Heffern, Rhonda Dent, Travis Waters, Shawn Bachynski, Samantha McLeod, Anna Amoroso, Natalie Boll, Ryan Zwick, Anna Farrant, Nelson Leis, Chris Guy, Alan Steele, Vicky Huang, Simon Sippola, Sean Whale.
SINOPSE: Inseticida é um filme com muita gosma e litros de sangue falso. Os atores são meio amadores, a maquiagem dá na cara e os insetos - que ficaram gigantes depois de uma experiência - foram desenvolvidos por computadores. São os ingredientes de um filme trash.© Europa Filmes








Lançado no Brasil em DVD (2007) pela Europa Filmes, com direito à capinha alardeando se tratar de um “Trash Total”, Inseticida é o segundo longa do diretor Jeffery Lando, cujos trabalhos vêm sido lançados com frequência no Brasil (entre eles, Decoys, Goblin – O Sacrifício e Ilha da Morte). E, apesar do resultado irregular, pode-se dizer que cumpre com sua função de divertimento descompromissado.


A trama batidíssima se passa numa irmandade de garotas que em sua maior parte têm uma ou duas falas antes de morrer. Em destaque acompanhamos Cami (Heffern), uma nerd que se vê excluída das festinhas que as outras jovens participam, e que parece estar mais interessada na Ciência por trás dos insetos, seus objetos de estudo. Quando Josi (Dent), a popular do grupo (e por consequência, a mais cruel delas) acaba jogando inseticida em seus bichos, Cami pensa que todos os seus insetos morreram, mas aparentemente o spray causou uma mutação que os fez gigantes monstros assassinos.



Convencional em sua narrativa, prestando homenagem às antigas convenções de gênero entre as quais aquela que afirma que virgens e pudicos sobreviverão, Inseticida usa seu mínimo orçamento para criar de maneira esperta insetos gigantes usando um CGI absurdamente falso, que acaba funcionando no filme justamente por este não se levar a sério. Uma vez que a sangreira não funciona, precisaríamos um mínimo de empatia com os personagens, mas isso também não ocorre, já que como mencionado, a maioria do elenco sequer tem seu nome mencionado. Com  tudo para dar errado, Inseticida acaba funcionando em função de duas razões. A primeira é que Lando (quase) nunca deixa o filme cair no marasmo, usando, ainda que de maneira questionável, cenas de sexo e nudez gratuita, que apesar de várias, têm um certo caráter inocente de produções mais antigas. A outra razão é o carisma do elenco, que parece estar se divertindo com toda a gosma e situações risíveis pelas quais passam durante o filme. A duração também é enxuta, e nesse sentido, eu diria que o longa vale a recomendação, justamente por sua falta de ambição e do seu caráter assumidamente trash, que se não é garantia de qualidade, pelo menos não deixa de ser altamente satisfatório em sua missão de entreter por 81 minutos o espectador calejado de tanto filme de horror ruim.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O Enigma de Outro Mundo (1982)

O Enigma de Outro Mundo (The Thing, EUA, 1982)
Direção: John Carpenter
Elenco: Kurt Russell, Keith David, Wilford Brimley, Donald Moffat, T. K. Carter, Richard Masur, David Clennon, Charles Hallahan, Richard Dysart, Peter Maloney, Joel Polis, Thomas G. Waites, Norbert Weisser, Larry J. Franco.
SINOPSE: O mestre do terror John Carpenter usa de efeitos especiais e muito suspensa nesta versão arrepiante do clássico O Monstro do Ártico. No verão de 1982, um time de doze pesquisadores trabalha numa remota estação na Antártica e descobre um ser alienígena submerso na neve há mais de 100.000 anos. Descongelada, a criatura mutante possui a habilidade de duplicar e se transformar em seu hospedeiro, matando-o em seguida e espalhando o terror. O problema é descobrir quem é ser humano e quem é o possível alienígena.







Pode parecer estranho hoje que um reconhecido clássico de gênero como Enigma do Outro Mundo possa um dia ter sido um fracasso. Mas é verdade. Lançado em 1982, o oitavo longa do mestre João Carpinteiro fracassou de cara nas bilheterias, em parte devido à estreia na mesma semana de outro clássico da ficção científica, Blade Runner – O Caçador de Androides, e em parte devido ao megassucesso de E.T. - O Extraterrestre, que mostrava alienígenas sob um ponto de vista bem mais otimista e amigável do que o longa de Carpenter, e que acabou arrebanhando o público familiar para os cinemas. Não só público mas também a crítica da época sentou a lenha no filme, que só ganhou o merecido reconhecimento após o lançamento em home vídeo e exibições na TV. Opiniões à parte, é inegável a influência desse trabalho em inúmeros outros exemplares de sci-fi horror, desde a construção lenta e gradual do suspense até a trilha sonora enervante e aos efeitos de maquiagem práticos usados aqui sem a menor parcimônia.



Podendo ser considerado ao mesmo tempo um remake de O Monstro do Ártico (1951) e uma readaptação do conto Who Goes There? (1938) de John W. Campbell, o roteiro de Bill Lancaster acompanha uma estação americana de pesquisa na Antártida que se vê ameaçada por uma estranha espécie parasita alienígena que assimila organismos vivos e os imita, criando uma cópia exata daquele, assim gerando uma atmosfera paranoica de quem é realmente humano entre aqueles homens.

Enigma se caracteriza quase como um exercício de gênero, e se sai naturalmente muito bem nesse sentido com a direção segura de John Carpenter. Não há preocupação em desenvolver a maior parte de seus personagens, já que vemos desde o início da trama MacReady (Russell) assumindo o destaque exclusivo da história, quando na primeira sequência é visto isolado do restante de sua equipe, e percebemos seu comportamento impulsivo, mas também de liderança, já que basicamente nenhum dos outros homens questiona suas ações ou suas ordens. Assim, a deficiência na caracterização daquelas pessoas não geraria no espectador a tão conhecida identificação, no entanto, não é o que ocorre, já que o roteiro acaba apostando bem na construção de paranoia e medo, conferindo curiosamente a cada personagem a mesma importância em dado momento do filme, já que qualquer um pode ser a coisa.



Além disso, Carpenter deita e rola com a maquiagem prática criada por Rob Bottin com colaboração da lenda Stan Winston, que confere ao longa um caráter grotesco, mas que nunca soa gratuito, aliando desespero e morbidez ao suspense instalado. Uma aposta corajosa que deu certo, se considerarmos que na maioria das vezes a construção do suspense, em se tratando de filmes com criaturas, consiste muito mais em esconder do que mostrar. A ambientação de isolamento é construída lenta e gradualmente, como em Alien – O Oitavo Passageiro, tendo como auxiliar principal a trilha quase onipresente de Ennio Morricone.

Independentemente de o longa funcionar ou não como alegoria, como aqueles que citam o filme no contexto da Guerra Fria, o fato é que Enigma do Outro Mundo funciona em vários níveis, do horror repulsivo ao thriller psicológico, algo cada vez mais raro no cinema de gênero atual.

quinta-feira, 6 de março de 2014

À Meia-noite levarei sua alma

À Meia-noite Levarei sua Alma (Brasil, 1964)
Diretor: José Mojica Marins
Elenco: José Mojica Marins (Zé do Caixão/Josefel Zanatas), Magda Mei (Terezinha), Nivaldo Lima (Antonio), Valeria Vasquez (Lenita), Ilídio Martins Simões (Dr. Rodolfo (como Ilídio Martins)), Antonio Marins (Seu Francisco), Laércio Laurelli (voz dublada de Zé do Caixão), Arildo Iruam, Graveto, Robinson Aielo, Avelino Morais, Luana, Leandro Vieira, Mário Lima.
SINOPSE: O cruel e sádico coveiro Zé do Caixão, temido e odiado pelos moradores de uma cidadezinha do interior está obcecado em conseguir gerar o filho perfeito, aquele que possa dar continuidade ao seu sangue. A sua mulher não consegue engravidar e ele acredita que a namorada do seu melhor amigo é a mulher ideal que procura. Violada por Zé do Caixão, a moça quer cometer suicídio para regressar do mundo dos mortos e levar a alma daquele que a violou. A saga de Zé do Caixão continuará em Esta noite encarnarei no teu cadáver.






Zé do Caixão é um agente funerário de um pequeno vilarejo interiorano no Brasil, sua vida gira em torno de gerar o filho perfeito, já que do seu ponto de vista é a única maneira de obter a imortalidade, já que despreza toda e qualquer crença no invisível e no sobrenatural. Enquanto busca seu objetivo, desafia a fé católica, causa medo no povo da cidade e deixa um rastro de violência e mortes.



Se hoje a repugnância moral do personagem Zé do Caixão não tem o mesmo efeito, devido à decadência da maioria das religiões, e ao fato de o próprio Zé ter se tornado uma caricatura não só fora do cinema, mas no próprio universo diegético, devido aos seus exageros de interpretação, é certo que se olharmos tomando o ponto de vista da época, é possível imaginar o enorme impacto que À Meia-noite levarei sua alma teve no público que foi assistir ao filme nos cinemas.



Com Mojica demonstrando coragem e inovação ao construir um vilão que se apresenta
completamente avesso às religiões e à alienação do povo, é curioso ao mesmo tempo constatar que o motto de Zé do Caixão não serve para incitar uma libertação popular, já que o sujeito causa completo medo no vilarejo em que mora, e além disso é extremamente violento e machista, já que não hesita em torturar a mulher quando esta não consegue lhe dar filhos, que é o objetivo principal de Zé durante toda a sua saga, a continuidade do sangue, e da mesma maneira, também assassina o melhor amigo e violenta a noiva dele, sendo perseguido no desfecho pelos seus fantasmas, revelando finalmente o aspecto sobrenatural que o filme não havia mostrado até então. 
Muito hábil ao se aproximar da estética americana ao ter um cuidado especial na construção de cenários e suspense, mas ao mesmo tempo não deixando de lado a cultura e as crendices nacionais, Mojica cria genuinamente o primeiro horror nacional, bem montado, apesar de todas as dificuldades financeiras, e que se torna fundamental para qualquer um que queira entender a história do cinema brasileiro, ainda que pouco valorizado e explorado neste gênero tão fantástico (com o perdão do trocadilho).

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Zombies Ate My Neighbors

Zombies Ate my Neighbors (1993)
Desenvolvimento: Lucas Arts
Lançamento: Konami
O jogo segue dois adolescentes, Zeke e Julie na missão de salvar seus vizinhos diante do apocalipse de monstros e mortos-vivos em diversos níveis e cenários, utilizando para isso uma infinidade de armas e recursos.







Video games sempre cumpriram um importante papel no entretenimento, onde para além de simplesmente tornar crianças sedentárias (hehe), conseguiam divertir também os adultos com sua infinidade de subgêneros que vão do trivial jogo de raciocínio aos elaborados jogos de estratégia e RPG, hoje em dia com gráficos ultra-realistas.

Mas um pouco antes de jogos de tiro no estilo Resident Evil e Doom (que foi lançado na mesma época, mas assumiu um design mais realista em versões posteriores) e similares invadirem o mercado, havia os jogos com gráficos relativamente simples lançados para plataformas como Super Nintendo e Mega Drive que com criatividade marcaram história. Esse é o caso de Zombies Ate my Neighbors.


Jogos que são adaptações de filmes sempre me encantaram. O fato de poder encarnar aquele personagem favorito daquele filme favorito e poder dar um rumo diferente (dentro do limite do jogo, é claro) ao seu destino sempre fizeram dos games um ambiente propício a tais adaptações.

O caso de Zombies Ate My Neighbors vai mais além. O jogo é uma homenagem rica ao cinema de horror moderno. Vai desde os filmes de horror clássicos (múmias, lobisomens) e aqueles com insetos gigantes dos anos 50, passando pelos filmes de zumbis (notadamente os de Romero) e chega até as décadas de 70 e 80, homenageando os bonecos assassinos e os maníacos seriais dos slashers.

O design é rico e desafiador em muitos níveis, onde você precisa encontrar e salvar seus vizinhos (com a preciosa ajuda de um radar) através de portas fechadas, paredes e labirintos atravessando uma incrível diversidade de cenários, que vão do simples quintal das casas da vizinhança até pirâmides, castelos, campos de futebol americano, galpões e shopping centers. Outro detalhe são a variedade de armas, que vão do padrão (armas de água haha) até poderosos cortadores de grama e bazucas que explodem paredes...e inimigos. Falando neles, Zombies Ate My Neighbors cuida desse aspecto com muito carinho. Para além dos vilões do título (zumbis comuns que saem da terra), o jogo aposta em maníacos com poderosas motosserras, bonecos assassinos, múmias, aliens e outra seleta coleção de chefes, que vão de bebês gigantes a vermes subterrâneos.

O jogo ainda mete certo nível de tensão, apesar de bem-humorado, sobretudo nos níveis de "anoitecer", nos quais você tem que correr para salvar certos vizinhos antes de eles se transformarem em poderosos lobisomens.

Um jogo nostálgico, divertido, desafiador, que com certeza agradará aos fãs da cultura de horror.
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