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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Mansão Marsten (2004)

A Mansão Marsten (Salem's Lot, EUA, 2004)
Diretor: Mikael Salomon
Elenco: Rob Lowe (Ben Mears), James Cromwell (Padre Callahan), Andre Braugher (Matt Burke), Donald Sutherland (Richard Straker), Samantha Mathis (Susan Norton), Rutger Hauer (Kurt Barlow), Dan Byrd (Mark Petrie), Robert Mammone (Dr. James Cody).
SINOPSE: Quando tinha só 9 anos Ben Mears (Rob Lowe) concordou em passar a noite na macabra mansão Marsten. Para o seu infortúnio, Ben viu os corpos que foram resultado de um escandaloso pacto de assassinato e suicídio. Décadas depois ele se tornou um escritor, que volta para Jerusalem's Lot, sua terra natal, mas ainda carrega as traumáticas memórias da sua infância. Ben descobre que Richard Straker (Donald Sutherland), o misterioso dono de um antiquário, e Kurt Barlow (Rutger Hauer), o desconhecido sócio de Straker, pois nunca é visto, vivem agora na mansão Marsten. Logo moradores começam a desaparecer e morrer, voltando voando até as janelas dos familiares e pedindo para serem convidados a entrar. Ben e alguns outros suspeitam da terrível verdade que atingiu a cidade, algo bem profano que tem ligações com a mansão sinistra.






"Numa cidade pequena, o mal se espalha rapidamente."

Responsável na época por trazer sangue novo (ops!) ao vampirismo na literatura, A Hora do Vampiro (1975) foi o segundo romance de Stephen King a ser publicado, novamente com recepção calorosa por crítica e pelos leitores. Assim como em seu primeiro livro, King novamente soube trazer um tema sobrenatural inserido num contexto humano e realista. Não demorou para que surgisse uma adaptação. Em 1979 foi produzida uma versão para TV, dirigida por Tobe Hooper, e em 2004 surgiu um novo telefilme (na verdade, uma microssérie em dois episódios) feita pela TNT. Ainda podemos contar o filme de 87 que se trata, na verdade, de uma continuação, dirigida por Larry Cohen (Nasce um Monstro). Por duas vezes declarada por King como o seu romance favorito, é curioso notar que ninguém enxergou ao longo desses anos que a trama criada pelo autor tinha potencial para atingir as telonas, mas, apesar de ser um telefilme (assim como o primeiro, que não vi), A Mansão Marsten compensa suas limitações do formato com qualidades bastante notáveis.

Capaz de assustar pela sua longa duração se assistido em DVD, a obra nunca cai, entretanto, na morosidade, apresentando uma progressão narrativa impressionantemente lenta, levando o espectador sem pressa ao clímax. Fiel em tom e história à obra que lhe serve de base, A Mansão Marsten conta a sina de Ben Mears (um convincente e contido Rob Lowe), escritor que passou toda a sua infância na cidadezinha de Jerusalem's Lot (ou Salem's Lot) tendo, inclusive, passado por um acontecimento traumático relacionado a uma velha mansão (a do título brasileiro) e percebe quando chega que alguém misterioso alugou a antiga casa antes que ele mesmo pudesse fazê-lo. O desaparecimento de uma criança local é só o início de uma série de eventos misteriosos que deixam claro que a Mansão (e seus habitantes) tem algo a ver com a cidade toda estar se tornando vampiros.

Capaz de criar uma atmosfera desoladora antes mesmo de algo efetivamente acontecer, através da narrativa em off e da fotografia que aposta em tons frios e pálidos; a estrutura narrativa de A Mansão Marsten também combina com a estrutura empregada por King em seus trabalhos, que vai descrevendo o ambiente e seus personagens com bastante cuidado de modo que passamos a nos importar com aquelas pessoas, premissa básica do gênero horror. Contribuem para isso o elenco engajado, com destaque para Rob Lowe, James Cromwell e Andre Braugher (também presente na adaptação de O Nevoeiro).
Configurando-se, no mínimo, como uma grata surpresa no meio de inúmeras adaptações decepcionantes, A Mansão Marsten é uma obra decente que não só respeita o material original como ainda deve agradar a qualquer um que aprecie um bom filme de vampiros.
Curiosidades:
  • Um dos cachorros do filme se chama Cujo, nome também de um romance de Stephen King sobre um cão assassino;
  • Outra referência no filme inclui uma cena num bar onde um homem canta no karaokê a canção Stand By Me, título original da adaptaçãoConta Comigo e também da canção-tema daquele filme;


sábado, 6 de setembro de 2014

Voo Noturno

Voo Noturno (The Night Flier, EUA, 1997)
Diretor: Mark Pavia
Elenco: Miguel Ferrer (Richard Dees), Julie Entwisle (Katherine Blair), Dan Monahan (Merton Morrison), Michael H. Moss (Dwight Renfield/O Piloto da Noite), John Bennes (Ezra Hannon), Richard K. Olsen (Claire Bowie), J. R. Rodriguez (Policial no aeroporto), General Fermon Judd Jr. (Policial)
SINOPSE: Richard Dees (Miguel Ferrer), um jornalista de um tablóide sensacionalista sai em busca de um aviador misterioso, uma espécie de vampiro que pilota à noite e vai fazendo vítimas pelos aeroportos onde passa. Dees decide refazer o caminho macabro percorrido pelo piloto e acaba se envolvendo demais, colocando sua vida em risco.






"Nunca publique aquilo que acredita...nunca acredite naquilo que publica..."


Richard Dees (Miguel Ferrer, conhecido por papeis menores no cinema e algumas séries de TV) é um repórter inescrupuloso que trabalha para o tabloide Inside View, que baseia suas notícias e variedades exclusivamente em sensacionalismo e exageros, como “Abdução alienígena” ou “Mães que colocam seus filhos no freezer acreditando que são filhos do demônio”, entre outras várias bizarrices. No presente, o editor-chefe do jornal, Merton Morrison (Dan Monahan, o Pee-Wee da cinesserie Porky’s) oferece um novo caso a Dees, onde um misterioso assassino em um avião Cessna Skymaster está fazendo uma trilha de sangue atacando em pequenos aeroportos rurais sem nunca ser pego, ganhando a alcunha de “O Piloto da Noite”. A princípio recusando o convite, Dees acaba cedendo à oferta e acaba se envolvendo perigosamente no caso, com a suspeita de que o piloto da noite seja, afinal, um vampiro!

Assistir a Voo Noturno é sentir-se em casa em se tratando de adaptações de Stephen King. Inspirado em seu conto “O Piloto da Noite” (presente na antologia “Pesadelos e Paisagens Noturnas – Volume 1”), o longa foi produzido pelo veterano Richard P. Rubinstein, conhecido justamente por produzir diversas obras de terror, como Madrugada dos Mortos e várias adaptações de King, como A Maldição, Fenda no Tempo e Cemitério Maldito. Além disso, o próprio Stephen Kingindicou” o nome do diretor e roteirista Mark Pavia para dirigir a adaptação, pois havia adorado seu curta sobre zumbis de 35 minutos, “Drag” (16mm, 1993, que está disponível no Vimeo). Mark Pavia não dirigiria mais nada após este longa, mas o fato é que a combinação inspirada de profissionais deu muito certo, ainda que Voo Noturno permaneça como uma obra bem menos famosa de King.

Beneficiado por uma trilha sonora enervante composta por Brian Keane (ganhador do Emmy), o longa remete a uma atmosfera dos anos 80, embora produzido na década posterior, e, apesar de esquemático, o roteiro escrito por Pavia e seu amigo Jack O’Donnell consegue surpreender sem deixar de ser fiel ao conto, reproduzindo até mesmo as situações e diálogos existentes na história, e enchendo linguiça com qualidade, explorando alguns momentos que já existiam no material original e ainda brindando os fãs de gore com um festival de mortes e mutilações orquestrado pela equipe KNB de Kurtzman, Nicotero e Berger, com direito a um design de vampiro original e assustador. Ainda contam pontos para o filme o desfecho, que mostra um destino diferente para Dees em relação ao conto, mas que não perde nada da essência da obra literária e ainda dá margens para ironia e para interpretações sobre a sanidade do repórter. Um pequeno cult que vale muito a conferida pelos fãs de horror.

NOTA: Crítica também publicada no Boca do Inferno

 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Zombies Ate My Neighbors

Zombies Ate my Neighbors (1993)
Desenvolvimento: Lucas Arts
Lançamento: Konami
O jogo segue dois adolescentes, Zeke e Julie na missão de salvar seus vizinhos diante do apocalipse de monstros e mortos-vivos em diversos níveis e cenários, utilizando para isso uma infinidade de armas e recursos.







Video games sempre cumpriram um importante papel no entretenimento, onde para além de simplesmente tornar crianças sedentárias (hehe), conseguiam divertir também os adultos com sua infinidade de subgêneros que vão do trivial jogo de raciocínio aos elaborados jogos de estratégia e RPG, hoje em dia com gráficos ultra-realistas.

Mas um pouco antes de jogos de tiro no estilo Resident Evil e Doom (que foi lançado na mesma época, mas assumiu um design mais realista em versões posteriores) e similares invadirem o mercado, havia os jogos com gráficos relativamente simples lançados para plataformas como Super Nintendo e Mega Drive que com criatividade marcaram história. Esse é o caso de Zombies Ate my Neighbors.


Jogos que são adaptações de filmes sempre me encantaram. O fato de poder encarnar aquele personagem favorito daquele filme favorito e poder dar um rumo diferente (dentro do limite do jogo, é claro) ao seu destino sempre fizeram dos games um ambiente propício a tais adaptações.

O caso de Zombies Ate My Neighbors vai mais além. O jogo é uma homenagem rica ao cinema de horror moderno. Vai desde os filmes de horror clássicos (múmias, lobisomens) e aqueles com insetos gigantes dos anos 50, passando pelos filmes de zumbis (notadamente os de Romero) e chega até as décadas de 70 e 80, homenageando os bonecos assassinos e os maníacos seriais dos slashers.

O design é rico e desafiador em muitos níveis, onde você precisa encontrar e salvar seus vizinhos (com a preciosa ajuda de um radar) através de portas fechadas, paredes e labirintos atravessando uma incrível diversidade de cenários, que vão do simples quintal das casas da vizinhança até pirâmides, castelos, campos de futebol americano, galpões e shopping centers. Outro detalhe são a variedade de armas, que vão do padrão (armas de água haha) até poderosos cortadores de grama e bazucas que explodem paredes...e inimigos. Falando neles, Zombies Ate My Neighbors cuida desse aspecto com muito carinho. Para além dos vilões do título (zumbis comuns que saem da terra), o jogo aposta em maníacos com poderosas motosserras, bonecos assassinos, múmias, aliens e outra seleta coleção de chefes, que vão de bebês gigantes a vermes subterrâneos.

O jogo ainda mete certo nível de tensão, apesar de bem-humorado, sobretudo nos níveis de "anoitecer", nos quais você tem que correr para salvar certos vizinhos antes de eles se transformarem em poderosos lobisomens.

Um jogo nostálgico, divertido, desafiador, que com certeza agradará aos fãs da cultura de horror.
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